Ceará divulga toda semana casos de Covid nas escolas e contrasta com SP

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***ARQUIVO***FORTALEZA, CE, 03.03.2020 - Camilo Santana (PT), governador do Ceará, durante entrevista exclusiva à Folha de S. Paulo em seu gabinete, no Palácio da Abolição, em Fortaleza (CE). (Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2003041016828257
***ARQUIVO***FORTALEZA, CE, 03.03.2020 - Camilo Santana (PT), governador do Ceará, durante entrevista exclusiva à Folha de S. Paulo em seu gabinete, no Palácio da Abolição, em Fortaleza (CE). (Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2003041016828257

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto o estado de São Paulo parou de contar os casos confirmados de coronavírus na comunidade escolar, o Ceará, exemplo de resultados na educação, divulga toda semana as ocorrências da doença entre alunos e professores.

A transparência no monitoramento é considerada fundamental para a adesão dos estudantes à volta presencial às aulas, atualmente opcional nos dois estados.

Diferentemente de São Paulo, onde a gestão João Doria (PSDB) liberou a reabertura das escolas em setembro do ano passado, no Ceará a gestão Camilo Santana (PT) autorizou a volta só neste ano, e a maioria dos colégios estaduais segue fechada.

Mas antes mesmo de as aulas voltarem presencialmente, um painel disponível na internet já informava números de casos, óbitos e testes entre alunos e profissionais da educação dos municípios cearenses, inclusive aqueles no sistema de ensino remoto.

O sistema segue no ar, com atualização semanal.

Com ele, é possível saber, por exemplo, que desde o início da pandemia até sexta-feira (3), foram registrados no Ceará 41 óbitos entre estudantes e docentes e 19.466 casos recuperados. Também se sabe que há 1.317 casos em investigação.

O dia com mais casos entre alunos da rede estadual cearense foi 17 de maio deste ano (214), segundo a data de início dos sintomas. Desde então, o número vem caindo, até chegar a apenas 1 no último dia 1º.

Entre professores e funcionários, o pico de casos foi em 14 de maio (20) e chegou a 3 na semana passada. Na anterior, houve 1.

Há ainda detalhamento por município e, no caso dos estudantes, é possível também fazer recorte por faixa etária. A mais atingida é a de 15 a 17 anos, responsável por cerca de dois terços dos casos.

"Sabemos que, quanto mais informações estiverem disponíveis, mais eficientes serão as medidas de controle da pandemia", afirma a secretária executiva de Vigilância e Regulação em Saúde do Ceará, Magda Almeida.

O retorno às aulas presenciais no estado está liberado desde 26 de junho para o ensino superior, desde 26 de abril para o fundamental e desde 14 de junho para o médio.

Segundo a Secretaria da Educação da gestão Santana, das 731 escolas estaduais, cerca de 200 retornaram no modelo híbrido, com aulas tanto presenciais como remotas.

O fechamento prolongado da maior parte dos colégios da rede estadual vai na contramão do que faz a maior parte dos países desenvolvidos. A medida é associada a perdas de aprendizagem.

Da mesma forma que o fechamento prolongado é alvo de críticas, o sistema de monitoramento de casos cearense também tem limitações. A consulta por escola não funcionava na sexta-feira e não havia detalhamento sobre os casos nas escolas municipais e particulares.

Ainda assim, a transparência é consideravelmente maior do que a do estado de São Paulo.

Embora a Secretaria da Educação, sob gestão Rossieli Soares, tenha anunciado em maio que disponibilizaria todos os dados de infecção em um painel na internet, isso não ocorreu até o momento.

A pasta só divulgou dois boletins epidemiológicos sobre casos de Covid na comunidade escolar, o mais recente com dados até maio.

O jornal Folha de S.Paulo mostrou que, desde que as aulas presenciais foram retomadas sem restrição de atendimento de alunos em São Paulo, a gestão Doria (PSDB) não contabilizou nenhum caso confirmado ou morte por Covid nas escolas. Os registros, agora, são apenas de "casos prováveis" de infecção.

Os prováveis são aqueles alunos e funcionários que apresentaram resultado positivo de teste do tipo RT-PCR ou de antígeno, mas cujos dados não foram validados pela Secretaria de Saúde.

Como até agora as informações não foram validadas pela Saúde, nenhum caso foi classificado como confirmado.

A omissão dos dados ocorre após, nos primeiros boletins, a gestão Doria alardear um número de incidência de Covid nas escolas até "33 vezes menor" do que fora delas. A conta considerava no denominador alunos que não estavam frequentando as aulas, em uma época de baixa adesão ao retorno presencial

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Educação paulista afirmou na sexta-feira (3) que, "com as atualizações de operação do Simed (Sistema de Informação e Monitoramento da Educação para Covid-19) iniciadas em junho deste ano, o terceiro boletim da Educação sofreu uma adequação no prazo de elaboração".

"Com o andamento da interoperabilidade entre a Educação e Saúde ficou definido aguardar e divulgar os números cruzados entre os bancos de dados das referidas pastas", diz a secretaria.

Ainda segundo a pasta, de 2 a 31 de agosto, as escolas estaduais registraram 4.519 notificações no Simed. Deste total, 1.541 foram descartadas, 69 são inconclusivas e 1.161 estão em investigação. Considerando apenas os prováveis, são 1.748 casos, dos quais 1.040 de alunos, 651 de funcionários e 57 de trabalhadores terceirizados.

Com a segunda maior renda per capita do país, São Paulo está em quarto lugar entre as redes estaduais no ensino médio, segundo o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) mais recente, relativo a 2019.

Já o Ceará, com a 18ª primeira maior renda, ficou na quinta posição.

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