Cecilia Pavón e Fabiane Langona debatem literatura, artes visuais e militância na mesa 7 da Flip

Nesta sexta-feira, a mesa 7 da Festa Literária Internacional de Paraty explorou os contatos entre literatura, artes visuais e militância. Batizada “Dançar a Palavra”, a conferência do horário de almoço recebeu na Tenda da Matriz a autora argentina Cecilia Pavón e a quadrinista brasileira Fabiane Langona. O encontro foi mediado pelo escritor Joca Reiners Terron.

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Poeta, artista plástica e idealizadora da editora e galeria Belleza Y Felicidad, Cecilia explicou que sua escrita se apropria de métodos usados pelas outras artes. Questionada por Terron sobre o tema, a argentina disse que o contato com outras formas de expressão enriquece muito o seu universo criativo.

— Creio que as artes visuais foram muito importantes para mim como escritora. No espaço de onde vim, a poesia e a literatura estavam muito vinculadas à música e às artes visuais. Elas foram importantes também no sentido da performance.

As duas foram muito aplaudidas pela plateia dentro e fora do auditório principal. Os aplausos foram entusiasmados quando a dupla criticou práticas machistas que ainda persistem tanto na literatura quanto nos quadrinhos.

Quadrinista com trabalhos publicados em diferentes jornais e revistas do país, a gaúcha Fabiane (que, no passado, assinava seus trabalhos com o pseudônimo Chiquinha) contou que foi censurada por uma publicação quando tentou comentar, com humor, a questão do estupro. Um editor considerou “muito violenta” a charge em que uma mãe se queixava com a enfermeira de que seu filho tinha a cara do pai estuprador.

— Um desenho não pode ser mais violento do que a situação que as mulheres vivem em seu cotidiano — pontuou, ovacionada pela plateia enquanto a imagem do trabalho era exibida no telão. — Mas essa é a força da imagem, do quadrinho, das artes gráficas. No meu trabalho, quis usar violência e a sanguinolência pois às vezes são as únicas formas de atingir determinados objetivos.