Cedae é multada em R$ 1 milhão por despejo de esgoto na Lagoa Rodrigo de Freitas

Pâmela Dias*
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A Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura multou em R$ 1 milhão a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), nesta quinta-feira, pelo despejo de esgoto no Rio dos Macacos, que desemboca na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio. Segundo a prefeitura, a Cedae já havia sido notificada duas vezes em janeiro quanto a problemas em uma das bombas elevatórias, mas apenas medidas paliativas foram implementadas pela estatal.

Após uma série de vistorias na Lagoa, em função de mudança na coloração, odor e reclamação de moradores e frequentadores da área, uma nova análise foi realizada nesta manhã por técnicos da Coordenadoria de Defesa Ambiental da Secretaria, próximo à comporta que fica na Rua General Garzon, nas imediações da Ilha Piraquê. A conclusão foi que uma bomba elevatória e a tubulação que leva o esgoto até o emissário submarino de Ipanema estavam irregulares e com reparos insuficientes para evitar o vazamento de lixo.

O biólogo Mário Moscatelli, que atua há mais de 30 anos na recuperação da biodiversidade da Lagoa Rodrigo de Freitas, esteve no local nesta quinta-feira e observou que, de ontem para hoje, o volume de esgoto já se espalhou por quase todo o canal. No rio, também foi possível encontrar alguns peixes mortos.

Para Moscatelli, além da multa, a Cedae deve ser responsabilizada pelo prejuízo que há anos vem causando à natureza e às pessoas que vivem na região e frequentam um dos cartões postais da cidade.

— É preciso cobrar da Cedae um laudo técnico da condição de operação e manutenção das elevatórias da Lagoa Rodrigo de Freitas regularmente. A gente não quer ficar apagando incêndio, pois de janeiro para cá já foram dois vazamentos, isso é um crime — apontou.

O despejo de esgoto irregular é caracterizado como crime ambiental, pois causa prejuízos à saúde humana, animal e da biodiversidade. A poluição no Rio dos Macacos, em especial, reduz a quantidade de oxigênio na Lagoa, num momento de altas temperaturas e poucas chuvas, o que torna o equilíbrio do ecossistema ainda mais difícil, elevando o risco de morte de peixes.

— Se isso está acontecendo em um dos principais cartões postais do Rio de Janeiro, na Zona Sul, imagina no resto. É uma situação inaceitável, pois são três décadas dos mesmos problemas, por falta de impunidade — completou o biólogo.

Segundo a prefeitura, estudos realizados pela Coordenadoria de Defesa Ambiental, em conjunto com o Instituto Estadual do Ambiente, apontaram que a origem dos poluentes na Lagoa Rodrigo de Freitas é de responsabilidade exclusiva da Cedae.

Em nota, a Cedae informou que iniciou, na última quarta-feira, a substituição de tubulação na Avenida Bartolomeu Mitre em caráter emergencial e para solução definitiva. De acordo com a nota, a conclusão da obra foi realizada na tarde desta quinta-feira e o sistema de esgotamento já estaria entrando em operação.

A Companhia informou ainda que, neste serviço, em que é necessário o desvio do efluente do trecho da lagoa, é utilizado o sistema de contingência. Com isso, os resíduos e deságue dos rios são drenados gradativamente, tendo como destinação final o emissário submarino. A estatal garantiu que está atuando com o suporte de caminhão de sucção para reduzir o volume de esgoto nos pontos contaminados.

*Estagiária sob supervisão de Vera Araújo