Cedae diz que falta d'água só será 100% solucionada às vésperas do Natal, mas promete desconto a prejudicados

Marcelo Antonio Ferreira e Yasmin Setubal
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Foto: Guilherme Pinto em 27-11-2020 / Agência O Globo

A crise do sistema de abastecimento da Cedae, provocada pela manutenção do motor da Elevatória do Lameirão, em Senador Vasconcelos, Zona Oeste do Rio, tem deixado muitos cariocas com as torneiras secas. Em Pilares, na Zona Norte, não chega água na casa de Cíntia Mandarino, de 37 anos, há cinco dias e, de acordo com a previsão, só deve retornar dia 23.

— Já chorei muito por causa dessa situação, e não tenho mais forças para chorar. Isso é inconcebível, é desesperador você precisar tomar um banho e não poder porque sua casa não tem água. O mínimo de água que tenho, eu vou deixar para escovar o dente e lavar a mão. Não tem como fazer mais do que isso — relata a vendedora.

Durante uma audiência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na última terça-feira, o presidente da Cedae, Edes Fernandes de Oliveira, disse que o novo dispositivo já foi testado e, assim que chegar à capital, será instalado por equipes que irão revezar turnos de 24 horas.

— Se os prazos contratuais de reparo fossem respeitados, não estaríamos enfrentando essa situação. Estamos aprovando a compra de um motor grande e um pequeno, além de bombas para reserva e não instaladas. Queremos ter, além dos conjuntos instalados operando, os conjuntos de reserva para aumentar a segurança operacional da elevatória. Também estamos fazendo estudos para modernizar o sistema e fazer a substituição gradual das bombas e painel de controle — afirmou o presidente da Cedae, ao prever o abastecimento 100% normalizado até a próxima quarta-feira.

Cíntia conta que não esperava que o fornecimento de água só fosse voltar ao normal perto do Natal; para realizar parte das tarefas domésticas, como lavar as roupas, a vendedora diz que precisa carregar as peças em sacolas até a casa de uma prima, em Cascadura, também Zona Norte. Além disso, a família tem precisado comprado quentinhas todos os dias e usado itens de cozinha descartáveis, porque não há água para cozinhar e lavar a louça.

Moradora do bairro há 19 anos, ela ainda comentou que o problema da falta de abastecimento é comum nos meses de dezembro e janeiro, e já teve época de a família ficar um mês inteiro sem cair uma gota de água em casa.

— Sempre ficamos sem água no verão e sempre precisamos tomar cuidado com a questão da água. A gente precisa ver o dia que vai cair a água para poder receber visita, porque as pessoas vão usar o banheiro, vão lavar as mãos. Alguém daqui de casa vai tomar banho, eu sempre aviso: "olha a água". Tudo o que fazemos é "olha a água". A gente se lasca, mas as contas chegam certinhas — desabafa.

A Cedae e o Ministério Público do Rio afirmaram que, de fato, irá haver um desconto nas contas dos moradores das regiões que foram afetadas ao longo deste mês.

— O termo de compromisso que firmamos também prevê o aumento da frota de carro-pipa para abastecimento da população em 70%, a fim de que as manobras de abastecimento sejam feitas de forma clara. Também foi acordado que a população não pague pelo serviço que não está sendo prestado — disse o promotor José Alexandre Maximino.

A Ação Civil Pública movida contra a companhia pedia a redução de 25% nas contas, reembolso por carros-pipa e indenização coletiva de R$ 51 milhões a consumidores, que, ao longo destas quatro semanas foram prejudicados – foram mais de 30 bairros da capital e quatro cidades da Baixada Fluminense.

De acordo com as informações disponibilizadas no site da Cedae, a redução na cobrança será automática e irá seguir os seguintes critérios:

Prejudicados que não tiverem o valor abatido na conta, devem mandar um e-mail para revisaodecontalameirao@cedae.com.br, com nome completo, CPF, número de matrícula e motivo da solicitação e anexar documentação comprobatória (notas fiscais, CPF e outros).