Cedae entrega parte de relatórios sobre qualidade da água à Agência Reguladora

Na semana passada, policiais civis foram à Estação de Tratamento de Guandu

A Cedae encaminhou à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico (Agenersa), no fim da tarde desta quarta-feira, parte dos relatórios complementares sobre a qualidade da água solicitados pelo órgão. Os documentos, que até as 18h50 não estavam publicados no site oficial da estatal, referem-se ao período de 9 a 18 de janeiro.

De acordo com a Agenersa,"a Cedae excluiu do seu relatório as amostras coletadas nos dias 19 e 20 de janeiro", também solicitados à empresa. Segundo a Companhia informou à agência, o material ainda está em fase de análise e "seus resultados serão encaminhados tão logo estejam prontos".

O informe da Cedae, ressalta nota da Agenersa, também apresenta dados sobre a presença da substância orgânica geosmina na água tratada no mesmo período. "Além disso, a Cedae atendeu à solicitação da Agenersa e enviou informações sobre o índice de turbidez da água tratada do ano de 2019 e início de 2020", informou sem maiores detalhes. "Todos os dados da Cedae serão comparados com resultados das análises da água realizadas pela Vigilância Sanitária Municipal", acrescentou o comunicado.

As informações serão acrescentadas ao processo que acompanha os procedimentos realizados pela Companhia para o correto e eficaz abastecimento de água. Todas as informações serão examinadas pela Câmara Técnica e Procuradoria da Agenersa e contribuirão para embasar decisão do Conselho Diretor no processo regulatório, que também dá direito ao contraditório e ampla defesa da Cedae. Caso seja comprovada falha nos procedimentos, a Companhia pode ser penalizada em multa que pode chegar a mais de R$ 5 milhões.

A Agenersa também aguarda os resultados das análises microbiológicas realizadas pela Vigilância Sanitária e que devem ficar prontos até sexta-feira. A agência também já solicitou à Polícia Civil uma cópia do inquérito aberto pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), tão logo seja concluído.

A Cedae também comunicou à Agenersa que finalizou a montagem do sistema de aplicação do carvão ativado e vai começar a empregar esse processo no tratamento de água da ETA Guandu a partir desta quinta-feira.

Nesta quarta, os técnicos realizaram teste de dosagem da substância utilizando o equipamento que foi montado ao longo dos últimos dias. No entanto, a Cedae não informou quando o abastecimento irá se normalizar. Isso vai depender da caixa d'água de cada moradia e prédios. Desde o dia 4, a água que chega nas torneiras está com a coloração, gosto e cheiro fortes.

A Alerj enviou, nesta quarta, ofícios à Cedae e à Secretaria de Estado de Ambiente e Sustentabilidade solicitando informações sobre as alterações na qualidade da água. Os documentos, assinados pelo presidente da Casa, deputado André Ceciliano (PT) e pelo presidente da Comissão de Tributação da Alerj, Luiz Paulo (PSDB), são destinados ao presidente da Cedae, Helio Cabral Moreira, e o secretário Altineu Cortes.

Os deputados também encaminharam ofícios ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público com os questionamentos enviados à Cedae e à Seas, além do Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que averiguou a crise hídrica do Estado em 2015. O objetivo, explicou em nota, é auxiliar os órgãos de fiscalização e colaborar com possível ação civil pública por parte do MPRJ.