Cedae promete verão sem a vilã da estação: a geosmina

Depois de serem obrigados a conviver com geosmina na água nos últimos dois verões, moradores da Região Metropolitana do Rio receberam agora Cedae de que a estação mais quente do ano, desta vez, será diferente. Ou seja, sem odor e gosto ruins saindo de suas torneiras. Após um investimento de R$ 28,2 milhões, a companhia diz que já consegue identificar e solucionar problemas na água captada no Rio Guandu no mesmo dia, interrompendo de forma rápida a sua distribuição para a população.

Entre as medidas adotadas para evitar a geosmina, estão a instalação de Estações de Tratamento de Rios (ETR's) nos rios Poços e Queimados, afluentes do Guandu; a ampliação do bombeamento, que permite o controle da temperatura, impedindo a proliferação de algas; e a análise da qualidade da água por equipes técnicas.

De acordo com o diretor de saneamento e grande operação da Cedae, Daniel Okamura, a análise da água, que antes levava sete dias para ficar pronta, pode ser realizado no mesmo dia. A contagem e a identificação de bactérias, que duravam dois dias, também passam a ser feitas em até 24 horas.

- A população pode ficar tranquila com a Cedae depois de toda essa modernização no sistema de laboratórios. Nos outros verões em que tivemos crise, demorávamos de três a sete dias para ter o resultado. Hoje a gente tem no mesmo dia, o que facilita a nossa tomada de decisão. A gente cria um comitê de emergência para decidir o que fazer e quais ações serão tomadas - afirma o diretor.

Ainda segundo Okamura, o investimento feito em melhorias, além de garantir a melhora da qualidade da água captada na Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, diminuem a necessidade da aplicação de produtos químicos durante o processo, como o carvão ativado, utilizado no auge da crise hídrica de 2020. A economia anual aos cofres públicos, calcula a empresa, chega a R$ 165 milhões.

Em nota, o Comitê Guandu, que faz a gestão descentralizada dos recursos hídricos da bacia do Guandu, disse que endossa ações que impactem positivamente na qualidade da água. O grupo diz ainda que irá acompanhar, propor melhorias e fiscalizar a execução das medidas prometidas.

Outro desafio da Cedae para o próximo ano é o consumo de energia. Com uma conta que ficou em aproximadamente R$ 1 bilhão em 2021, o presidente da empresa, Leonardo Soares informou que em breve será lançada uma licitação para compra de energia elétrica no mercado livre. Além disso, a empresa pretende reduzir ainda mais o seu quadro de pessoal, atualmente com 3.200 funcionários. O plano de negócios da companhia calcula o número ideal entre 2.500 e 3 mil servidores.

Manutenção anual nesta sexta-feira

Nesta sexta-feira, a Cedae realiza a manutenção anual do Sistema Guandu, que compreende a Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu e os subsistemas de água tratada Marapicu e Lameirão, que abastecem mais de 9 milhões de pessoas no município do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense. A operação faz parte da preparação da companhia para o Verão 2022/2023 e tem caráter preventivo, sendo fundamental para que o sistema esteja pronto para o período de maior demanda.

A manutenção anual mobilizará mais de 600 profissionais entre engenheiros, eletricistas, mecânicos e agentes de saneamento, além de 34 veículos. A ação permite correções necessárias, como instalação de equipamentos, reparos de vazamentos, ajustes eletromecânicos, revisão de peças e limpeza das redes e das instalações.