Cedae vai plantar um milhão de árvores ao longo do Rio Guandu

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RIO — Essencial para a garantia de produção de águas limpas, o reflorestamento em faixas marginais de rios é uma das técnicas mais utilizadas no mundo no combate à escassez hídrica e para revitalização de áreas degradadas. Hoje, em celebração ao Dia da Árvore, o projeto Replantando Vida, da Cedae, vai iniciar o plantio de um milhão de espécies, numa faixa de 500 hectares - o correspondente a mais de 700 Maracanãs - num período de cinco anos. Os funcionários do programa são detentos do sistema prisional, numa parceria com a Fundação Santa Cabrini.

Leia mais: Edital do bloco da Cedae que não atraiu propostas em leilão será lançado em outubro; pregão acontecerá em dezembroApesar de já existir há 20 anos, o Replantando Vida nunca teve um trabalho de longo prazo nessa magnitude agora proposta, explica o diretor do projeto, Alcione Duarte. Serão plantadas 254 espécies nativas da Mata Atlântica, sendo 40 que estão ameaçadas de extinção, como Jacarandá, Jequitibá e Sapucaia. As plantas são abastecidas pelos sete viveiros mantidos pelo projeto, que possuem capacidade de produção de 1,8 milhão de árvores por ano. — A pressão urbana no entorno do Guandu é muito forte, mas agora teremos maior garantia de conservação das áreas reflorestadas, em parceria com as prefeituras, e com incremento da nossa estrutura, de pessoal e equipamentos — explica Duarte, que estima que em três anos os primeiros resultados começarão a ser percebidos. — A mata ciliar é parte essencial para um rio saudável.

Veja também: Programa trata esgoto e utiliza o próprio meio ambiente para revitalizar lagoas em MaricáO trabalho será iniciado em um trecho de oito quilômetros entre o ponto de captação da Estação do Guandu e a Via Dutra. À medida que os recursos avancem, Duarte tem a expectativa de reflorestar, além do Rio Guandu, um trecho do Rio dos Poços, um dos principais poluidores, hoje, da bacia hidrográfica. Na região, o desmatamento teve como agravante nas últimas décadas a presença de grandes areais, que deixam sequelas até hoje.Nos próximos cinco anos, a previsão é que mil presos trabalhem no projeto. Um deles é Clayton Francisco, que chegou ao Replantando Vida em 2011 e hoje, em regime condicional, tem emprego de segunda a sexta.

Leilão da Cedae: governo do RJ assina contrato com BNDES para nova licitação de bloco que não atraiu propostas— Eu nunca tinha tido contato com trabalho ambiental, foi um recomeço para mim. As pessoas não têm tanta noção da relevância de um reflorestamento. De perto, a gente consegue ter mais visão. Demora (a crescer) mas dá muitos frutos.Obras de saneamento básico nos municípios do entorno da bacia continuam sendo a necessidade mais urgente para solução do problema de poluição. Como um dos sinais da degradação, a Associação de Pescadores do Guandu, que até dois anos atrás contava com 50 pescadores na bacia, viu um êxodo para lagoas da Barra e do Recreio, e hoje apenas cinco pescadores trabalham diariamente no Guandu. Mas, especialistas defendem o replantio das faixas marginais como uma das medidas mais importantes a serem tomadas.— A floresta retém aproximadamente 80% da chuva, é o melhor produtor de água. Não é a barragem. A crise hídrica que ocorre no Brasil hoje é devido ao desmatamento das bacias — afirma o engenheiro sanitário da Uerj Adacto Ottoni.

"Passaporte da vacina": Mulher agride funcionária de posto de saúde no Rio e foge com cartão sem tomar vacina Oceanógrafo da Unirio, Luciano Neves coordenará um trabalho, chamado Ecoshift, que vai levantar dados da realidade ambiental da Bacia do Guandu, a partir do final do ano. O impacto de ações como reflorestamento das margens pode ser um dos pontos de avaliação.

Covid-19: Rio antecipa para 21 dias a segunda dose da Pfizer para maiores de 50 anos— As árvores facilitam a retenção e a penetração da água no solo, aumentando oferta de águas nos rios, além de reter materiais sólidos, o que combate o assoreamento. No final, as espécies aquáticas, como peixes em extinção, também serão beneficiados — explica Neves, que lembra que antigamente até espécies exóticas eram usadas em ações de reflorestamento, quando a prática ainda não era muito difundida no país. Para um reflorestamento dar certo, é necessário utilizar uma gama variada de espécies nativas. Asso, com o tempo, se reduz a necessidade de manutenção.

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