Cego desde os 11 anos, Jeffinho Farias conta em livro caminho até ‘A praça é nossa’

Priscilla Aguiar Litwak
·2 minuto de leitura
Divulgação/WILLFOTOGRAFO / asfsdaf

NITERÓI — Apontar para o futuro e descobrir novas possibilidades. Foi o que fez o ator e comediante Jeffinho Farias após ter ficado cego, aos 11 anos, em decorrência de uma trombose cerebral. Sucesso em “A praça é nossa”, o gonçalense, de 30 anos, lança sua primeira obra literária. O livro “Eu decidi enxergar”, com selo da editora Proverbo, traz histórias inéditas e curiosidades dos bastidores vividas pelo artista ao longo de uma década de carreira.

Jeffinho começou na profissão aos 17 anos e chegou a estudar História na UFF, mas acabou se formando em Teatro pela UniverCidade. Atualmente, ele viaja pelo Brasil encenando espetáculos de humor e ministrando palestras motivacionais. Embora focada na sua trajetória como comediante, a narrativa também trata da doença causadora de sua deficiência visual. O comediante, que há sete anos atua e e é um dos roteiristas do humorístico do SBT, narra este processo de maneira leve e envolvente ao longo de 230 páginas.

O início da carreira é lembrado de uma maneira divertida, inusitada e, em muitos aspectos, surpreendente. Ao relatar suas andanças e os percalços que enfrentou, Jeffinho revela resiliência, capacidade de adequação às adversidades, fé no talento e luta pela realização dos sonhos.

— Conto um pouco as dificuldades suscitadas pela falta de visão e como isso interferiu na minha história e na minha carreira — resume o artista.

O livro tem prefácio do também humorista Geraldo Magela, o que, dada a condição similar dos dois, soa como uma passagem de bastão do ídolo para o discípulo.

— De bastão ou de bengala — diverte-se o humorista. — Ele é uma referência e certamente abriu o caminho para outros artistas cegos como eu.

No livro, há menções a grandes nomes do cenário artístico nacional com os quais o autor conviveu — e com fotos. Jô Soares, Tony Ramos, Carlos Alberto de Nóbrega, Fausto Silva e Danilo Gentilli são algumas das personalidades presentes nos causos e nas passagens narrados pelo humorista.

O niteroiense Maurício Sherman (falecido em 2019), ex-diretor do “Zorra total”, da TV Globo, emissora na qual Jeffinho já trabalhou, também foi lembrado no livro:

— O Tuca (Graça), que trabalha comigo na “Praça”, levou o seu Sherman para assistir a uma peça nossa em Niterói. Durante o caminho todo, tentou ganhar a simpatia dele, mas só levou patadas. Já de cara ele perguntou se era em São Paulo, reclamando da distância, mesmo sendo de Niterói. No trajeto, Tuca falou muito sobre mim e de como eu tinha umas sacadas legais no show. Mas, ao chegar no teatro, ele viu o cartaz e se admirou: “Ih, o ceguinho está aí também, meu filho” — entrega parte da história.

Jeffinho explica ainda que, no dia a dia e nos shows, ele não tira sarro de deficientes visuais, mas leva na brincadeira o que as pessoas dizem para ele.

— A comédia é mais democrática, temos cegos, anões, negros, gordos; a arte em geral, não — comenta.

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