Celebrada com ‘Pantanal’, Cristiana Oliveira lança biografia sobre autoestima: ‘É como se meu envelhecimento causasse repulsa’

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“Eu seria a Velha do Rio”, brinca Cristiana Oliveira, quando estimulada a imaginar um novo papel para ela no remake de “Pantanal”, novela que a deixou nacionalmente famosa há 32 anos como a selvagem Juma Marruá. Com a trama de volta ao ar pelas mãos de Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, autor da história original, os telespectadores parecem inconformados por não terem a sua “musa de 1990” ao menos numa participação especial na produção.

Aos 58 anos, a atriz e empresária não sustenta as mesmas expectativas. A maturidade tem lhe feito tão bem, que motivou o lançamento de uma biografia para repassar as inseguranças da vida pessoal e revelar bastidores da trajetória profissional. “Cristiana Oliveira: versões de uma vida — Como o resgate da autoestima e o fim da busca por aceitação me tornaram mais forte e feliz aos quase 60 anos” (Editora Letramento, 160 páginas, R$ 59,90), escrito em parceria com Larissa Molina, tem noite de autógrafos hoje, às 19h, na Livraria da Travessa, em Ipanema, bairro onde a carioca foi criada. Cristiana falou ao EXTRA sobre a plenitude de seu momento atual:

A biografia

“Comecei a escrever há seis anos, motivada pela minha chegada aos 50. Senti que a cobrança por aquela musa de 1990 estar envelhecendo ficou mais acirrada. Há anos, dou palestras sobre autoestima, falo a muitas mulheres sobre ser feliz sem precisar corresponder às exigências do olhar dos outros. Resolvi colocar no papel de uma forma simples, sem a intenção de ser autoajuda. São relatos pessoais, a minha luta pelo equilíbrio. A internet critica de uma forma muito agressiva. É como se o meu envelhecimento causasse raiva, repulsa nas pessoas. Canso de ler comentários assim e não me importo mais. Liguei o foda-se”.

Briga com o espelho

“Só parei de brigar com o espelho quando cheguei à menopausa. Gosto de me cuidar, prefiro ser uma mulher longilínea, essa é uma escolha minha. Estou com uns 10kg acima do que tinha 20 anos atrás, mas me curto assim. Cheguei aos 110kg na adolescência, sofri gordofobia até em casa. Como modelo, continuei sendo cobrada. Já atriz, era chamada a atenção pelos diretores: ‘Precisa emagrecer, tá gordinha’. Pensava: ‘E daí? Estudo o texto, faço aulas de voz e consciência corporal...’. Até que veio a Araci (de ‘Insensato coração’, em 2011) e me desconstruí, aumentei em 20kg. Sei que as críticas vão existir pra sempre. De mim, podem falar o que quiserem. Mas se ofenderem as minhas filhas (Rafaella, de 34 anos, e Antônia, de 23), o meu neto (Miguel, de 10) e o meu marido (Sergio Bianco, de 57), aí a coisa muda de figura. Eu viro onça”.

Envelhecimento

“Envelhecer é um privilégio. Não quer? Morre jovem! Só parem com as ofensas! Não estou nem falando por mim, plena na minha idade. Transformam os idosos em pessoas invisíveis. Tenham respeito pela história, pela beleza da vida dessas pessoas. Na era da internet, dos likes, magreza e juventude viraram virtudes. Me olham na rua e falam: ‘Nossa, como você está jovem!’, ‘Como você está magra!’. Me perguntem se estou bem, caramba!”.

Trabalho

“Há quatro anos, sou também empresária. Então, não estar interpretando não me pega financeiramente, nem pela vaidade. Mas tenho no trabalho um combustível de vida, seja na TV ou no teatro, no cinema, nas palestras... Quando não estou em ação, me sinto vazia. Ainda não evoluí a ponto de transformar o ócio em algo criativo. Com a reprise de ‘O clone’ e o retorno de ‘Pantanal’, acabo estando presente, sou lembrada de alguma forma. O público ainda me chama de Alicinha (a vilã da novela de Gloria Perez) e de Juma Marruá Raiz, Primeira Juma, Eterna Juma...”.

Remake de ‘Pantanal’

“Bruno Luperi escreveu um textão lindo pra mim, agradecendo a minha dedicação a ‘Pantanal’, porque sempre fui respeitosa. Fiquei emocionada. Ainda mantenho contato e sou muito amiga do Paulo Gorgulho, do Marcos Winter e do Palmeira. Ele me disse que falam muito no meu nome lá. Não preciso estar no elenco para me sentir homenageada. Não criei a expectativa de ser convidada, em nenhum momento. Se me chamassem, eu ia achar o máximo, ficaria muito feliz, é claro. Mas também sou a favor da livre escolha. Se não aconteceu, é porque não era pra ser. Falo isso sinceramente, de coração. A novela está linda! Tenho acompanhado pelo Globoplay, porque a rotina está corrida. E não admito que me deem spoilers (risos)! Tenho todos os diálogos na memória. Sei as falas da Juma e dos outros personagens, identifico o que é texto do Benedito e o que é do Bruno”.

Alanis Guillen

“Tenho verdadeira paixão por essa princesa. Alanis é de uma inteligência, uma delicadeza! É a própria Juma, era só botar a roupa e ir. Óbvio que já conversamos sobre as possíveis comparações entre a gente, mas falamos muito mais sobre outras coisas. Eu a deixei absolutamente livre para fazer o que quisesse com a Juma”.

Ligação com o Pantanal

“Sou embaixadora da ONG SOS Pantanal. Minha relação com a região se fortaleceu durante a pandemia, por causa dos incêndios. Ao longo dos anos, me chamaram várias vezes para retornar à Fazenda Rio Negro, onde gravávamos, e eu neguei. Me entristeceria entrar em contato com um passado que não volta mais. Hoje, vendo a novela, tomei coragem, tenho vontade de voltar”.

Ex-amores

“Esse assunto não está no meu livro. Não cito ninguém (entre os famosos, ela foi casada com o ator Fábio Assunção e namorou o cantor Rafael Ilha, ex-Polegar). É passado, deixa ir. Melhor respeitar a história de cada um”.

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