Celso de Mello, decano do STF, diz que fala de Eduardo Bolsonaro é 'golpista'; veja outras reações

Fátima Meira/Futura Press

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram à fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável Jair Bolsonaro. Em vídeo gravado há quatro meses, Eduardo disse que “para fechar o STF basta um cabo e um soldado”. (Assista ao vídeo no fim da matéria).

A declaração mais enfática contrária ao deputado veio do decano do tribunal, Celso de Mello. Em nota enviada à Folha de S. Paulo, o ministro classificou a fala como “golpismo”.

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“Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!! Votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica fundada no texto da Constituição! Sem que se respeitem a Constituição e as leis da República, a liberdade e os direitos básicos do cidadão restarão atingidos em sua essência pela opressão do arbítrio daqueles que insistem em transgredir os signos que consagram, em nosso sistema político, os princípios inerentes ao Estado democrático de Direito”.

O  presidente da Corte, Dias Toffoli, ainda não se pronunciou sobre o caso. Ele estava em Veneza para compromissos profissionais e deve chegar nesta segunda-feira (22) em Brasília.

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e integrante STF, afirmou que nenhum juiz irá se “abalar”. “As instituições estão funcionando normalmente. Juiz algum no Brasil se deixa abalar por qualquer manifestação que possa ser compreendida como inadequada”, disse a ministra, em rápida declaração sobre o assunto.

O ministro Marco Aurélio Mello disse considerar que vivemos “tempos sombrios”. “Vamos aguardar, com toda a serenidade, os acontecimentos”, afirmou, sem tecer mais comentários.

OUTRAS MANIFESTAÇÕES

Fernando Haddad (PT) afirmou que seu adversário na disputa pelo Palácio do Planalto é um chefe de milícia e seus filhos são “milicianos, capangas”. Haddad classificou a família do capitão reformado como “gente de quinta categoria”.

Bolsonaro reagiu à divulgação do vídeo e disse acreditar que as declarações do filho foram tiradas de contexto. “Isso não existe. Se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra. Desconheço. Duvido. Alguém tirou de contexto”, afirmou o líder nas pesquisas de intenção de voto. 

Em sua conta no Twitter, Eduardo disse que o vídeo foi gravado há quatro meses e, na ocasião, ele teria respondido a uma hipótese sobre Jair Bolsonaro ter candidatura impugnada pelo Supremo Tribunal Federal.  Para o deputado, o reaparecimento do vídeo é “uma forçação de barra para atingir Jair Bolsonaro”. Assim como o pai afirmou, ainda, que, se alguém defender que o STF precisa ser fechado, essa pessoa “precisa de um psiquiatra”.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, também se manifestou. Ele divulgou uma nota em defesa do STF como instituição essencial para garantir a estabilidade do país. “Chamamos atenção, especialmente, para o papel fundamental que o Supremo Tribunal Federal tem cumprido neste momento de crise. O mais importante tribunal do país tem usado a Constituição como guia para enfrentar os difíceis problemas que lhe são colocados, da forma como deve ser. É obrigação do Estado defender o STF”, diz o texto.

ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou em publicação no seu perfil oficial no Twitter as declarações do deputado federal.

“As declarações do dep. E Bolsonaro merecem repudio dos democratas. Prega a ação direta, ameaça o STF. Não apoio chicanas contra os vencedores, mas estas cruzaram a linha, cheiram a fascismo. Têm meu repúdio, como quaisquer outras, de qualquer partido, contra leis, a Constituição”, escreveu FH em seu Twitter.