Celso de Mello autoriza depoimentos de ministros no inquérito que apura acusações de Moro a Bolsonaro

Carolina Brígido
O ministro Celso de Mello

BRASÍLIA - O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira que a Polícia Federal interrogue dez pessoas no inquérito que investiga as acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro ao presidente Jair Bolsonaro. Entre os depoimentos a serem prestados, três são de ministros do governo: Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo; Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; e Braga Netto, da Casa Civil. Moro acusa Bolsonaro de ter tentado interferir indevidamente nas atividades da PF.

Também prestarão depoimento a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e seis delegados da PF - entre eles, Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da corporação, e Alexandre Ramagem Rodrigues, que foi indicado para o lugar de Valeixo, mas foi vetado por decisão do STF. As oitavas foram pedidas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras e devem ser realizadas em até 20 dias.

Segundo o procurador-geral, as pessoas precisam prestar depoimento sobre "eventual patrocínio, direto ou indireto, de interesses privados do Presidente da República perante o Departamento de Polícia Federal, visando ao provimento de cargos em comissão e a exoneração de seus ocupantes".

Celso de Mello também autorizou outras diligências solicitadas por Aras, também no prazo de 20 dias. Entre elas, determinou à Secretaria-Geral da Presidência da República o envio de cópia dos "registros audiovisuais" de uma reunião entre Bolsonaro, ministros e presidentes de bancos públicos no Palácio do Planalto, em 22 de abril.

A intenção é confirmar a afirmação de Moro de que Bolsonaro teria cobrado, nesse encontro, a substituição do diretor-geral da PF e do superintendente da corporação no Rio de Janeiro, além de relatórios de inteligência e informação da Polícia Federal.

O ministro ainda autorizou que seja determinada a apresentação dos "comprovantes de autoria e integridade" das assinaturas no ato que exonerou o ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo. Inicialmente, o decreto foi publicado no "Diário Oficial da União" com as assinaturas digitais de Jair Bolsonaro e Sergio Moro. Em coletiva, horas depois, Moro negou que tivesse assinado o documento, indicando possível fraude na publicação.

No mesmo dia, uma edição extra do "Diário Oficial da União” republicou o ato, mas com as assinaturas de Bolsonaro, Braga Netto e Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Na justificativa oficial, constou que o texto foi reeditado por "erro material".

Celso de Mello também autorizou a análise do material espelhado do celular de Moro, fornecido pelo próprio ministro à PF no último sábado. No mesmo dia, o ex-ministro da Justiça prestou depoimento por oito horas, também a pedido de Aras.