Celso de Mello autoriza PF a realizar perícia em vídeo de reunião ministerial comandada por Bolsonaro

Daniel Gullino
Celso de Mello durante sessão do STF

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a realizar uma perícia no vídeo de reunião ministerial enviado à Corte. A PF solicitou a realização da perícia para aferir a "autenticidade" e a "integridade" da gravação. Na reunião, de acordo com o ex-ministro Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir de forma indevida nas atividades da PF. Bolsonaro afirmou que não "ofendeu" nem "ameaçou" ninguém na reunião.

Celso de Mello, que é o relator do inquérito que investiga a suposta interferência de Bolsonaro na PF,afirmou que deverá ser verificada "a ausência, ou não, de eventual edição, modificação, seleção de fragmentos ou, até mesmo, supressão de passagens relevantes dos registros audiovisuais contidos no objeto a ser periciado".

O vídeo foi entregue na semana passada pelo governo federal. A Advocacia-Geral da União (AGU) chegou a pedir para entregar apenas trechos da gravação, mas desistiu e informou ter repassado a íntegra. Celso de Mello decretou sigilo "pontual e temporário" da gravação.

Na mesma decisão, o ministro determinou que a PF faça um transcrição de todo o conteúdo do vídeo, e que o texto seja remetido, em sigilo, ao seu gabinete. Após ler a transcrição, Celso de Mello decidirá se irá divulgar o conteúdo, de forma completa ou parcial.

Na manhã de terça-feira, o vídeo será exibido no Instituto Nacional de Criminalística da PF, em Brasília, para a  Procuradoria-Geral da República (PGR), a PF, a AGU e a defesa de Sergio Moro. O ministro não acompanhará a exibição porque não está em Brasília, por fazer parte do grupo de risco do novo coronavírus.

A PGR, a PF e a AGU e a defesa de Moro também poderão indicar assistentes técnicos para participar da perícia ou apresentar questionamentos a serem respondidos.