Celso Mello pede prazo até sexta-feira e aumenta expectativa em torno de divulgação de vídeo de reunião ministerial

André de Souza

Brasília - O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), viu nesta segunda-feira o vídeo da reunião da equipe do governo de 22 de abril, considerado peça-chave no inquérito aberto para investigar denúncias do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro teria tentado interferir politicamente na Polícia Federal (PF). A decisão de levantar o sigilo parcial ou total da gravação, que dura cerca de duas horas, será tomada até sexta-feira ou “talvez antes”, segundo o próprio Celso de Mello, que é o relator do inquérito.

A reunião contou com a participação de Bolsonaro e de seus ministros. Moro, que deixou o governo dois dias depois deste encontro, apontou a gravação como prova de que o presidente tentou interferir na na PF. A ingerência sobre a corporação foi o motivo alegado por Moro para se demitir.

“Recebi a equipe da Polícia Federal, chefiada pela Dra. Christiane Correa Machado, em meu gabinete, na data de hoje (segunda-feira, dia 18), que me atualizou sobre o andamento das investigações criminais e entregou-me um pen drive contendo vídeo e áudio da reunião ministerial de 22/4/2020. Após esse encontro, comecei, agora, a assistir ao vídeo, devendo liberar minha decisão até esta próxima 6a. feira, dia 22/05, talvez antes!”, afirmou o ministro em declaração publicada no site do STF.

O material foi recebido no gabinete do relator do inquérito em Brasília. Mas o ministro, que está em sua casa em São Paulo, pode usar um sistema que lhe permite assistir ao vídeo. Na sede do STF, o chefe de gabinete e um juiz federal auxiliar de Mello acompanharam a exibição da gravação.

A defesa de Moro defende que o vídeo seja divulgado na íntegra. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu a divulgação apenas dos trechos com falas de Bolsonaro. Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou que só sejam divulgadas falas do presidente relacionadas ao inquérito.