Celso de Mello rejeita 'tolerância ilimitada' com golpistas e os chama de 'hunos'

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 04.12.2018 - O ex-decano do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 04.12.2018 - O ex-decano do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-decano do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello diz que a sociedade brasileira não pode ter "tolerância ilimitada" contra opositores do regime democrático. Em mensagem obtida pela Folha de S.Paulo, o ministro aposentado refere-se aos responsáveis pela invasão da Esplanada dos Ministérios como "hunos".

"Inquestionável que uma sociedade fundada em bases democráticas deve ser essencialmente tolerante e, por isso mesmo, estimular o respeito harmonioso na formulação do dissenso, em respeito aos que divergem de nosso pensamento, de nossas opiniões e de nossas ideias", escreveu Mello.

"Mas não deve nem pode viabilizar a 'tolerância ilimitada', pois esta, se admitida, leva à supressão da própria tolerância, à eliminação dos tolerantes e à aniquilação da própria ideia e sentido de democracia", ponderou.

Ele menciona em seu raciocínio o filósofo austríaco Karl Popper (1902-94), que indagava até que ponto a democracia, para autopreservar-se, deve tolerar os intolerantes.

Segundo o ministro aposentado, é necessário que sociedade empenhe-se na defesa incondicional das instituições democráticas do Brasil.

Para Mello, elas estão expostas a "ataques covardes e criminosos dos hunos que as assediam com o subalterno (e corrosivo) propósito de vulnerá-las e de vilipendiá-las em sua integridade".