'Cemitério de capacetes' foi acumulado em telhado de loja desde 2008

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os cerca de 2.000 capacetes apreendidos pela Polícia Civil no último sábado (7), no telhado de uma loja no bairro Campos Elíseos, no centro de São Paulo, foram acumulados desde 2008 no local. E acabaram lá, segundo a família dona do comércio, após serem deixados ao longo do tempo por clientes que compravam um produto novo.

A apreensão ocorreu durante uma operação realizada por policiais ligados ao Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) para combater a venda de motopeças suspeitas de serem fruto de roubo e furto naquela região, chamada de "Boca das Motos". Além dos 2.000 capacetes, cerca de 1.200 peças foram apreendidas em comércios próximos.

Segundo a polícia, os capacetes acabaram apreendidos porque o comércio não conseguiu comprovar a sua origem.

Karina Freitas, 30 anos, afirmou que os capacetes começaram a ser colocados no telhado desde que seu pai, Hélio Freitas, 58, mudou o segmento da loja, que entre 1993 e 2008 vendia motos novas, para o de equipamentos de segurança e vestuário para motociclistas.

"Como havia cliente que chegava com o capacete todo destruído, meu pai criou um local para descarte na hora que ele trocava por um novo", afirmou. "E quando juntou uns 20, resolveu colocar no telhado para ser uma referência para quem via de cima, do helicóptero, de que aqui era uma loja de capacetes", disse Karina nesta quarta-feira (10), mostrando dois carrinhos de supermercado colocados no fundo do comércio onde são deixados os objetos velhos.

"Toda vez que o carrinho enchia, os meninos [funcionários] levavam lá para cima e colocavam um do lado do outro, colados, para não acumular água e sujeira", afirmou. Os capacetes eram presos por redes e cordas de aço.

Segundo a comerciante, com o tempo a família percebeu que, no área onde havia os capacetes, o calor era menor dentro da loja. Por isso, os objetos velhos também passaram a ser colocados em outro telhado da Hélio Motos, que ocupa dois prédios e boa parte de um dos quarteirões da General Osório.

A explicação foi dada pelo comerciante em depoimento à polícia prestado no sábado. "Também dificulta que alguém caminhe pelas telhas", disse a filha do dono da loja.

Os capacetes no telhado, segundo ela, fazem parte da cultura da rua, e a polícia sabia há cerca de cinco anos da existência deles ali. Em 2017, contou Karina, os capacetes foram mostrados em programas de televisão, que filmaram o local de helicóptero, e policiais civis subiram até lá para ver se eram objeto de roubo ou furtos.

Questionada sobre os motivos de a polícia ter feito as apreensões apenas cinco anos depois, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou apenas que o caso é investigado por meio de inquérito policial.

A pasta disse que a apreensão dos capacetes, ocorrida no sábado, faz parte das ações realizadas pela operação Sufoco, iniciada no último dia 5 pelo governo estadual para combater, principalmente, a ação de falsos entregadores em assaltos.

"As investigações prosseguem para esclarecer a origem dos objetos apreendidos. Detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho policial", afirmou o texto.

No boletim de ocorrência da apreensão, policiais confirmaram que encontram no interior da loja dois carrinhos de supermercado "utilizados para descarte de capacetes usados à disposição dos clientes".

O documento informa que a polícia não encontrou nada de ilícito no local, que vende acessórios de segurança e vestuário, ou seja, não comercializa motopeças. Entretanto, os policiais disseram ter sido avisados por lojas ao lado sobre os capacetes no telhado e subiram lá, onde encontraram os objetos "em péssimo estado de conservação e abandono".

De acordo com Karina, os policiais civis chegaram a ir embora, mas voltaram pouco depois dizendo ter ordem para recolhimento, o que levou cerca de três horas e teve auxílio de funcionários. As 2.000 peças foram colocadas em um caminhão-baú.

Os capacetes agora estão em um depósito judiciário, e família não pretende buscá-los. "Era para descarte", afirmou Karina.

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