Cemitério no Rio recebe o selo pet friendly para que familiares possam levar os bichinhos para visitas de ente queridos

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RIO — A enfermeira Marcia Cristina Rodrigues, de 59 anos, leva, há dois meses, todas as segundas-feiras, o cachorrinho schitzu Bento Rodrigues, de seis anos, para visitar as cinzas do seu tutor, filho de Marcia, o Rafael Rodrigues, um rapaz especial que foi cremado no Cemitério da Penitência, no Caju, na Zona Portuária. Esta manhã, o cemitério foi o primeiro a receber do governo do estado o selo "pet friendly", que autoriza a entrada de pets em todos os acessos do local.

— Os bichinhos fazem parte da família. Eu não consigo sair sem querer levar o Bento para todo canto. E eles sentem a perda! É uma iniciativa importante demais — diz Marcia.

No dia do crematório de Rafael, que faleceu em agosto após uma broncoaspiração, aspiração pulmonar pelas vias aéreas, Marcia pediu autorização para entrar com o cachorrinho, por necessidade, já que ele não estava acostumado a ficar sozinho no apartamento onde moravam:

— É uma angústia deixar ele lá. Fora que ele sentiu muito quando o Rafael se foi, procurava por toda parte da casa, na cama dele. Ele poder visitar é também um jeito de aproximá-lo do Rafael de novo, de outra forma. Agora, quando falo que vamos até à nova casa do Rafael, ele fica todo animado. Mudou até o comportamento do Bento, que ainda sente muita falta dele — conta.

O cemitério é o primeiro a receber o selo no estado. Com isso, além da autorização para circular em qualquer área do local, que foi adaptado com rampas de acesso, os pets terão um espaço com cama, comedouro e bebedouro especiais para os bichinhos.

Alberto Brenner Junior, superintendente do Crematório e Cemitério da Penitência, diz que a ideia faz parte de uma demanda grande na sociedade:

— A gente ficou muito feliz por termos sido escolhidos para ser o primeiro. Quando iniciamos a discussão para o avanço deste tema, nem imaginávamos a dimensão do assunto.

Além de colocar o bichinho como parte da família, Marcelo Queiroz, secretário da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, pasta responsável pela ideia, diz que a iniciativa combate também o abandono e maus tratos para com os pets:

— É uma tendência. Muitas vezes existe esse cenário de abandono e maus tratos porque o animal não poder fazer parte do cotidiano do tutor. A inclusão precisa existir em todos os espaços.

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