Cemitérios da Colômbia podem conter respostas para famílias de desaparecidos

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Mulher caminha pelo cemitério La Dorada após entrevista à Reuters

Por Julia Symmes Cobb

LA DORADA, Colômbia (Reuters) - Quando seu filho de 17 anos, José Andrés, foi sequestrado por paramilitares no auge do conflito civil da Colômbia, Gloria Ines Urueña prometeu que não partiria da cidade ribeirinha de La Dorada antes de encontrá-lo.

Ela se mantém fiel à palavra há mais de duas décadas, procurando o corpo do filho apesar de sofrer ameaças do grupo que o matou.

Estima-se que 120 mil pessoas desapareceram durante os quase 60 anos do conflito colombiano. Um acordo de paz de 2016 entre o governo e as então chamadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) trouxe algum alívio, mas outra insurgência de esquerda e gangues criminosas armadas --muitas derivadas de paramilitares de direita-- persistem.

Agora, um plano nacional para identificar vítimas enterradas anonimamente em cemitérios renova a esperança que Urueña e milhares como ela têm de encontrar os restos mortais de seus entes queridos.

A Unidade de Buscas de Pessoas Desaparecidas, criada mediante o acordo de 2016 para cumprir uma de suas promessas centrais, está investigando cemitérios de todo o país com a esperança de desemaranhar anos de registros caóticos e negligência, identificar restos e devolvê-los às famílias.

Muitos dos desaparecidos da Colômbia foram mortos por rebeldes de esquerda, paramilitares de direita ou militares. Outros foram sequestrados, recrutados à força ou se uniram voluntariamente a grupos armados.

A maioria provavelmente está morta, enterrada em túmulos clandestinos nas alturas dos Andes ou nas profundezas das florestas ou lançada em rios e ravinas -- mas alguns terminaram em cemitérios.

(Reportagem adicional de Lizbeth Diaz, na Cidade do México; Nicolas Misculin, em Buenos Aires; Gabriela Donoso, em Santiago; Sofia Menchu, na Cidade da Guatemala; e Daria Sito-Sucic, em Sarajevo)

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