'Cenário do audiovisual no Brasil é um não cenário', lamenta diretor de filme nacional exibido em Sundance

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O Festival de Sundance, um dos mais importantes espaços para o cinema independente, teve seu início nesta quinta-feira (20), em formato on-line devido ao aumento de casos de Covid-19 nos EUA. A produção brasileira “Marte Um”, de Gabriel Martins, é um dos destaques da programação, e foi exibida já no primeiro dia do evento. Realizado pela produtora mineira Filmes de Plástico, “Marte Um” tem estreia prevista para os cinemas brasileiros para agosto de 2022.

A trama acompanha uma família de classe média baixa de Contagem, na Grande Belo Horizonte. Um pai, uma mãe e um casal de filhos seguem suas rotinas num momento de mudança no país, nos primeiros dias após a eleição do presidente Jair Bolsonaro.

Importante da narrativa, a eleição é citada pelo diretor como algo circunstancial. Ele escreveu o filme entre 2014 e 2015, mas sempre entendeu que a trama deveria se passar no período em que acontecessem as gravações, ou seja, ao final de 2018.

— Ouando temos personagens da classe trabalhadora e nos vemos diante de uma situação política muito desfavorável para eles, tudo se torna mais intenso. A eleição de 2018 trouxe para o filme urgências que já estavam presentes antes — aponta o diretor e roteirista Gabriel Martins.

Traços autobiográficos

Conhecido pelo trabalho em “No Coração do Mundo” (2019), realizado em parceria com Maurílio Martins, o cineasta coloca um pouco de sua trajetória em cada um de seus personagens, especialmente no caçula da família, Deivinho, um menino apaixonado por astronomia que sonha em participar de uma missão à Marte, indo contra as expectativas do pai, que quer que ele seja jogador de futebol. Segundo Martins, o sonho impossível de Deivinho possui uma relação muito próxima com sua própria teimosia em querer ser cineasta, um desejo que nasce aos 9 anos, num cenário em que isso parecia inacessível.

Com mais de uma década de carreira, Gabriel Martins ainda se considera um iniciante ou, ao menos, uma pessoa em constante aprendizado.E critica a atual política cultural do governo:

— O cenário atual do audiovisual no Brasil é um não cenário. O processo começou a ser interrompido ali no governo Temer e no governo Bolsonaro, encontrou a sua destruição completa — lamenta o diretor. — “Marte Um” foi contemplado com um edital voltado para diretores e produtores negros, o primeiro com uma política afirmativa direta, que busca corrigir um erro histórico e cultural. E sua primeira edição foi a última, o que diz muita coisa.

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