Censo: 10% da população que vive nas calçadas do Rio foram para as ruas após a pandemia

Geraldo Ribeiro
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Foto: Luiza Moraes / Extra

A Prefeitura do Rio divulgou ontem o censo feito entre 26 e 29 de outubro, que concluiu haver 7.272 pessoas em situação de rua na cidade. Dos entrevistados, 752 (10%) informaram ter ido para as ruas após o início da crise sanitária. Entre esses, a perda do emprego na pandemia foi apontada por 34% como o motivo para viverem nas calçadas e sob marquises, enquanto 19% destacaram que a motivação foi a perda de moradia.

O total de moradores de rua representa praticamente a metade dos 14 mil encontrados em pesquisa de 2016. A prefeitura diz que a diferença se deve à metodologia diversa.

— Até agora, os dados eram obscuros. Em 2013, um levantamento apresentou 5 mil indivíduos vivendo nas ruas. Em 2016, eram mais de 14 mil. Nenhum desses levantamentos apresentou uma metodologia específica, e por isso temos a certeza de que os números agora representam fielmente a realidade da população em situação de rua — disse a secretária municipal de Assistência Social, Tia Ju.

Do total de pesquisados, 5.469 pessoas foram encontradas vivendo na rua e outras 1.803 dormem em abrigos. Das que foram abordadas em situação de rua, 1.190 foram entrevistadas em cenas de uso de drogas. A maior parte nasceu no Rio. Quando questionadas, essas pessoas responderam, em sua maioria, que um emprego as faria voltar ao lar. O principal motivo para estarem na rua, no entanto, seriam conflitos familiares.

Homens são 81%, e grande parte deles tem entre 31 e 45 anos. O Centro é o bairro com a maior concentração, com 1.442 pessoas. A predominância (79,6%) é de pessoas pretas e pardas. O recenseamento foi feito em cumprimento ao decreto nº 46483/2019, que prevê o censo a cada dois anos para que o município mantenha atualizadas as informações e políticas públicas para este público.

Os questionários foram aplicados por cerca de 400 funcionários das secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos e de Saúde e do Instituto Pereira Passos (IPP). A prefeitura contratou, por meio de licitação pública, a empresa Qualitest - Inteligência em Pesquisa, para o tratamento de dados.