Censo 2022: Em favelas, recenseadores terão uniforme alternativo para não parecerem PMs

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai fazer no Censo 2022, pela primeira vez, coleta de informações em favelas. A decisão, no entanto, requer alguns cuidados especiais. Para a pesquisa nessas regiões são priorizados recenseadores que morem nas áreas e, em algumas regiões, um uniforme alternativo será adotado.

Por todo o país, em geral, os recenseadores vão usar — além de um boné e bolsa — um colete azul marinho, no qual ficará acoplado um crachá com os dados do recenseador e um QR Code, pelo qual qualquer pessoa abordada poderá checar a veracidade das informações expostas. O colete, no entanto, não é considerado ideal, "pois é parecido com o colete da PM".

— Em algumas comunidades aconselharam não ir com o colete, mas são poucas. Então será adotada uma camisa polo branca, com a logomarca do IBGE. Mas o recenseador ainda terá o crachá dele, para identificação — explica Maria Bernardete Sanches, coordenadora estadual do Rio de Janeiro.

O conselho foi dado por lideranças comunitárias ouvidas durante a etapa de preparação da pesquisa nas favelas, e por isso as camisas ainda não ficaram prontas para distribuição aos recenseadores. Desde maio, o IBGE conversa para entender as especificidades de cada lugar.

— Os coordenadores de áreas fizeram contato com lideranças comunitárias para explicar que ia acontecer o Censo. Então depois nos levaram, os agentes censitários municipais, até eles. Nós voltamos lá, apresentando os supervisores. E os supervisores vão apresentar os recenseadores — diz Luiza Dantas Solé, agente censitária municipal responsável pelo bairro de Santa Teresa, incluindo suas favelas.

As vagas de recenseadores que atuarão nas favelas já tinham sido divulgadas junto às associações de moradores, e preenchidas prioritariamente por recenseadores que moram em cada local, para possibilitar mais produtividade e segurança na atuação.

— E tem comunidade que ainda aponta a necessidade de um guia para acompanhar o trabalho, orientar endereços. Prioritariamente, o IBGE procura que sejam agentes de saúde. Então os supervisores foram nos postos de saúde desses locais e pediram ajuda. Mas o guia não fará intervenção na pesquisa — ressalta Maria Bernardete Sanches.

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