Censo 2022: Em menos de um mês nas ruas, recenseadores relatam insegurança

Rescenceadores têm enfrentado dificuldades e casos de violência durante coleta de dados (Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
Rescenceadores têm enfrentado dificuldades e casos de violência durante coleta de dados (Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

Menos de um mês depois de recenseadores saírem às ruas pelo Brasil para colher dados para o Censo 2022, os trabalhadores envolvidos no processo têm denunciado insegurança e casos de agressões verbais e físicas, roubos de equipamentos e bens pessoais, dificuldade de conseguirem ser atendidos pela população e até mesmo tentativas de estupro. A denúncia foi revelada pelo portal g1.

Outro problema citado por recenseadores é a questão do pagamento: de acordo com a Rede Amazônia, a promessa foi que os funcionários receberiam após terminarem de cobrir determinado setor. Mesmo após cumprirem o trabalho, não receberam os valores esperados.

Ao g1, o IBGE, responsável pelo Censo, afirmou que os casos estão sendo verificados e que os processos estão dentro do prazo legal. Em Fortaleza, o pagamento foi feito com atraso. A justificativa do chefe do IBGE no Ceará é que o sistema não suportou o voluma de informação recebida e, por isso, houve um problema – já resolvido.

Amanda de Assis Barbosa, recenseadora em Poá, São Paulo, também teve problemas e relatou que as dificuldades de serem recebidos nas casas das pessoas agrava a situação.

“A gente recebe por produção e aí, quando a gente entra é destinado a um setor, que é determinado um número de quadras, e a gente tem que fazer aquela quadra toda. A gente só recebe depois que a gente entregar o setor inteiro. Então, o fato de ter que ficar voltando em casas ausentes ou, de repente, a pessoa não atender acaba atrasando tanto o Censo quanto o nosso pagamento”, explicou ao g1.

Insegurança, assaltos e ameaças

Em Bauru, interior de São Paulo, um recenseador foi assaltado e teve o aparelho do Censo roubado. Já em Rio Branco, no Acre, funcionários sofreram roubos durante visitas para colher dados.

Houve registros de assaltos durante o processo em Manaus (AM), Macapá (AP), Santana (AP), Campo Grande (MS) e Aracajú (SE).

Ao portal, o IBGE afirmou que quando um aparelho é roubado, “é rastreado, apagado e inutilizado, sem prejuízo do sigilo garantido aos informantes ou moradores. Sobre a segurança dos dados coletados, ela é garantida com o uso da criptografia, os dados gravados no dispositivo móvel de coleta são criptografados”.

Já na região do Vale do Anari, em Rondônia, uma recenseadora sofreu uma tentativa de estupro, além de ameaça de morte, enquanto trabalhava. Foi registrado um boletim de ocorrência e o suspeito está foragido.

Outra tentativa de estupro ocorreu no litoral sul de Alagoas, na cidade de Jequiá da Praia. Depois da entrevista, o homem tentou forçar a recenseadora a fazer sexo com ele, mas ela conseguiu fugir. O homem foi preso.

Casos de assédio sexual foram registrados em Uberlândia (MG) e Ponta Grossa (PR).

Situações de ameaças contra recenseadores aconteceram em diversas cidades do Brasil, como em Ponta Grossa. “Quando eu fui perguntar para a senhora alguns quesitos como idade, quantos banheiros tinha em casa, ela achou ruim e começou a me ofender. Começou a me xingar, dizer palavrões e no final chegou a falar que se eu voltasse no domicílio ela ia me matar”, contou ao g1.