Censo 2022: IBGE adia mais uma vez pesquisa e promete divulgar dados até 28 de dezembro

O IBGE adiou mais uma vez a conclusão do Censo Demográfico 2022 e a coleta que deveria acabar no final de outubro será encerrada somente nos últimos dias de dezembro. Em 93 dias, considerando 1º de agosto até ontem, foram recenseadas 136.022.192 pessoas, em 47.740.071 domicílios, o que corresponde 63% da população estimada do país (215 milhões de pessoas).

O diretor de pesquisas do Instituto Cimar Azeredo não precisou o dia no qual a pesquisa termina, mas afirmou a entrega das informações para o Tribunal de Contas da União (TCU) será feito no dia 28 de dezembro. Estes dados são usados para definir a divisão dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

O principal motivo dos atrasos, diz Azeredo, é a falta de recenseadores, especialmente em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a taxa de desemprego é menor. Ele admite que os dois concursos cancelados e atrasos no pagamento também contribuíram para gerar descrédito aos candidatos. Segundo o IBGE, a questão da remuneração está resolvida.

Outro agravante, afirma, é com os últimos meses deslocaram muitas pessoas para trabalharem nas eleições. A recusa para receber os agentes é outro ponto delicado. Em torno de 2,33% não quis participar do Censo.

—Na maioria das vezes somos bem recebidos, mas há síndicos e porteiros que acabam impedindo. Eles descumprindo Código Penal que diz que o funcionário público tem direito de exercer o trabalho dele. O IBGE está tomando as providencias.

Entre as outras medidas para agilizar a coleta e dar conta do prazo, Azeredo diz que foram realizados processos seletivos e treinamentos reduzidos, transferência de recenseadores de outros municípios que já finalizaram as coletas, melhoraram as remunerações e estimulam o trabalho nos feriados e fins de semana.

— Não é obrigatório, mas ganha-se mais e o desempenho é melhor porque é mais fácil achar as pessoas em casa.

Por ora, o IBGE disse que não vai precisar aumentar a verba para reforçar os pagamentos dos recenseadores. — Se precisar, vamos procurar o Ministério da Economia. Por enquanto, dá para terminar com orçamento atual - disse Azeredo.