Censo 2022: IBGE adia término da operação para janeiro do ano que vem

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta terça-feira que não conseguirá concluir o Censo Demográfico 2022 este ano. Nas ruas desde o dia 1º de agosto, a pesquisa - que estava prevista para terminar em dezembro - foi estendida até janeiro de 2023. Com isso, parte dos recursos já estão sendo movidos para o ano que vem e novas estratégias estão sendo desenhadas para a conclusão da pesquisa.

Censo 2022: O que o IBGE pergunta? Posso responder pela internet? Tire suas dúvidas

Governo de transição: Relatório da ‘PEC da Transição’ tem prazo de dois anos e custo de R$ 198 bilhões

As duas principais dificuldades enfrentadas pelo instituto são a falta de recenseadores e a recusa de moradores em responder à pesquisa, com destaque para estratos de renda mais alta e inclusive autoridades, informou o IBGE.

Do início da operação até o dia 5 de dezembro, aproximadamente 80% da população foram recenseadas, segundo o instituto. No Censo anterior, em 2010, toda a população já estava contabilizada até esta data.

— Estamos com 80% do Censo concluído. Temos a expectativa de ter mais 10% do Censo concluído até o dia 20. Mas há cidades em que a dificuldade para contratar recenseadores foi grande a ponto da gente não conseguir fechar e vamos ter que estender — explicou Cimar Azeredo, diretor de pesquisa do IBGE.

Aumento da taxa de recusa preocupa

Segundo o diretor da pesquisa, Sergipe e Piauí já finalizaram a primeira etapa da coleta, que é quando se percorre o território do estado. Mas há outros estados que, além de não terem completado a etapa, preocupam pelo baixo índice de cobertura - como é o caso do Mato Grosso, em que menos de 80% da população foram recenseadas:

— Pedimos às pessoas para abrir as portas para o IBGE porque é junto com a sociedade que a gente constrói o Censo — ressaltou Cimar Azeredo, que reafirmou a expertise e segurança do IBGE na operação e no tratamento das informações coletadas.

Míriam Leitão: IBGE não consegue recensear o Mato Grosso por pressão do agronegócio

A taxa de recusa subiu de 2,33% para 2,59%, desde o balanço realizado no final de outubro, para o balanço do dia 5 deste mês. Há estados, porém, com uma recusa superior e que gera um alerta ainda maior. São Paulo, o mais populoso do país, está com uma taxa de quase 5%.

— (Na média) Ainda é um valor aceitável, mas queremos diminuir isso. Há todo um esforço possível para sensibilizar a população. É seguro responder o Censo e é um exercício de cidadania — frisou Luciano Tavares Duarte, gerente técnico da pesquisa.

Ao vivo: Integrantes da transição discutem desafios do novo governo no 'E agora, Brasil?'

Outro desafio é a atração de recenseadores para a coleta dos dados. Atualmente, há 82,1 mil contratados. Destes, 60,1 mil estão efetivamente produzindo - o que representa um terço (33,1%) do total de vagas disponíveis. A expectativa é de que parte dessa escassez de profissionais seja solucionada com a Medida Provisória (MP) que prevê a contratação sem processo seletivo e a medida de aumento na a taxa de remuneração dos recenseadores.

Corrida contra o tempo

O instituto, agora, corre para conseguir entregar o máximo de dados possíveis para o Tribunal de Contas da União (TCU) até o dia 26 de dezembro. Isso porque as informações coletadas sobre o número de habitantes nos municípios balizam a distribuição dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Entenda: Por que o Censo é tão importante?

O IBGE informou que está priorizando a divulgação dos resultados dos municípios com 170 mil habitantes para que não haja impacto nos repasses, uma vez que a última faixa populacional fixada pelo FPM para cálculo do montante é de 156 mil habitantes. Segundo Claudio Stenner, diretor de geociências do IBGE, os municípios com cerca de 170 mil habitantes estão hoje com aproximadamente 84% da população recenseada.

O órgão ainda estuda a melhor maneira de entregar todos os dados ao TCU até a data limite. De acordo com Azeredo, os dados dos municípios que finalizarem a coleta serão enviados. Já nas localidades em que a coleta ainda não estiver concluída, o IBGE prevê a possibilidade de repassar os dados com algum tratamento estatístico de estimativa populacional.

Rui Costa: 'Orçamento secreto é negativo sobre todos os aspectos'

Outra iniciativa adotada pelo órgão para acelerar a pesquisa é a de transferências de recenseadores de uma região para outra para cobrir a falta de mão de obra. Já houve migração de profissionais do Maranhão para o Pará, e o órgão está com uma lista de recenseadores que aceitaram realizar esse movimento em Sergipe, Piauí e Rio Grande do Norte.

O instituto abrirá ainda um serviço chamado Disque-Censo nos estados mais próximos a concluir a coleta. O morador que não tiver recebido a visita dos recenseadores poderá acionar o órgão, pelo número 137, para agendar entrevista para aplicação do questionário. Por enquanto, o serviço está disponível apenas nos estados do Sergipe e Piauí.