Censo 2022 introduz jovens no mercado de trabalho

Na casa da jovem Ruth Cavalcanti, de 19 anos, pagamentos de contas têm atrasado e é mesmo incerto se as refeições básicas serão feitas no dia seguinte. Sem poder abandonar o curso de Biblioteconomia, que faz na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela tinha restrições para arranjar um emprego e ajudar a família financeiramente. Mesmo assim, procurava uma oportunidade de meio período. Foi então que soube do concurso para recenseadora do Censo 2022, através de uma professora do ensino médio, e se dedicou ao desafio. Aprovada, nesta segunda-feira (18), ela iniciou treinamento para as atividades que devem lhe render remuneração superior ao salário mínimo.

O trabalho como recenseadora permite flexibilidade na jornada de trabalho e remunera segundo a produtividade. Com 25 horas semanais de trabalho, ela deve receber R$1.791,24 ao fim do mês, estima o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

— A situação na minha casa está muito difícil. Minha mãe está desempregada e vende comida na vizinhança. Recebemos o Auxílio Brasil e uma pensão pequena pra ajudar na criação dos meus dois irmãos menores. Mas não dá conta. Eu almoço e janto no bandejão da faculdade pra aliviar. E mesmo assim a gente nunca sabe se eles vão conseguir comer de forma saudável nos próximos dias — conta Ruth.

Moradora de Campo Grande, ela vai trabalhar na região da Glória, mais próxima da faculdade, na Praia Vermelha, que cursa à tarde. Pretende acordar às 4h30 de segunda a sexta, para sair de casa às 5h30, e começar a aplicar os questionários do Censo às 7h30.

O contrato de recenseadora tem validade de três meses, mas pode ser prorrogado.

Jovens são mais atingidos por desemprego

Segundo o IBGE, em junho, o Brasil tinha 9,8% da sua população desempregada, ou seja, 10,6 milhões de pessoas. De janeiro a março, de cada dez jovens entre 18 e 24 anos no país, ao menos dois estavam nessa situação: o dobro da média brasileira.

Como Ruth, diversos outros jovens ingressam no mercado de trabalho neste mês, através do Censo 2022. Gabriel de Souza, de 20 anos, procurava emprego desde 2019, antes da pandemia, sem ter concluído o ensino médio. Finalizou os estudos na escola no ano passado e, sem experiência, continuou recebendo apenas negativas.

— Aí minha mãe viu o anúncio do Censo e eu me inscrevi. Vou trabalhar o quanto puder, de 8h às 19h. E vou investir o dinheiro que ganhar. Mas espero também que esse trabalho abra portas para oportunidades de emprego no futuro — diz Gabriel, que mora na comunidade da Coroa, no Catumbi, e deve atuar na área, além de outras comunidades de Santa Teresa.

Em 40 horas de trabalho por semana, o IBGE calcula que seja possível realizar 81 entrevistas, em média, atingindo 216 pessoas. A remuneração semanal estimada é de R$ 726,53 e a mensal, portanto, de R$ 2906,12. Mas o instituto permite até 50 horas de trabalho mensais, o que pode render cerca de R$ 3.621.Caio Vinícius Salviano completou 18 anos em janeiro. Só pôde assumir a vaga que conquistou pois o Censo foi adiado pela Covid-19.

— Eu pretendo fazer uma faculdade pública. Então esse dinheiro pode me ajudar a pagar um curso preparatório. Sem contar a experiência que estou ganhando, instruindo uma turma — conta ele, orgulhoso da contribuição que fará: — É uma pesquisa que vai ser relevante durante oito anos. Saber que meu nome estará ali é gratificante.

Trabalho já começou para supervisores

Começou nesta segunda-feira (18) a fase presencial do curso de capacitação dos mais de 180 mil futuros recenseadores convocados pelo IBGE. O treinamento acontece em cerca de 5 mil locais de treinamento e 10 mil salas de aula espalhadas por todos os estados do país. O período de aprendizado terá carga horária de oito horas e durará cinco dias. Os profissionais que coletarão dados dos povos e comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, terão um dia a mais de capacitação.

Quem forma os recenseadores são os agentes censitários supervisores, como Caio Vinícius Salviano, de 18 anos. Ele começou a trabalhar em junho, também fazendo sua estreia no mercado:

— Depois do treinamento, nós fomos a campo por duas semanas para conhecer os lugares por onde passarão os recenseadores que vamos supervisionar. Anotamos como estão as calçadas, a iluminação pública, se há esgoto aberto. Isso virou dado pra pesquisa também. Agora, estou instruindo uma turma de recenseadores. Fiquei até receoso no início, mas está tudo indo bem — avalia.

Caio mora no bairro do Santo Cristo e vai supervisionar a área da Gamboa. O agente censitário superior trabalha em campo e em escritório, acompanhando por georeferência a atuação dos cinco ou seis recenseadores sob a sua responsabilidade. A remuneração é de R$ 1.700, mais auxílio-alimentação e auxílio-transporte.

— Eu pretendo fazer uma faculdade pública. Então esse dinheiro pode me ajudar a pagar um curso preparatório. Sem contar a experiência que estou ganhando, instruindo uma turma — conta o jovem, orgulhoso da contribuição que dará ao Censo: — É uma pesquisa que vai ser relevante durante oito anos. Saber que meu nome estará ali é gratificante.

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