Censo já em andamento nos EUA corre perigo pelo coronavírus

Por Laura BONILLA
Douglas Carrasquel, funcionário da organização comunitária Make the Road New York, faz cerca de 200 ligações diárias para incentivar as pessoas a participar do censo 2020 nos Estados Unidos

Eles deveriam bater em dezenas de milhares de portas para explicar cara a cara a importância de participar do censo que os Estados Unidos realiza a cada 10 anos e que já está em andamento, além de contabilizar quem não possui casa ou resiste a participar.

No entanto, devido ao coronavírus e ao confinamento de grande parte da população americana de cerca de 327 milhões de pessoas, todo trabalho de campo foi suspenso, uma decisão que põe em cheque os resultados deste custoso esforço que requer anos de preparo.

O censo é fundamental para definir quantos legisladores cada estado terá na Câmara de Representantes, e a quais escolas e hospitais serão destinados milhares de centenas de milhões de dólares de fundos federais.

Mas, por conta do contagioso coronavírus que já matou mais de 13.000 pessoas no mundo, o Escritório do Censo suspendeu todos os seus serviços de campo por pelo menos até primeiro de abril e disse que considera adiar a data final do censo por volta de 31 de julho.

- "Um desafio muito grande" -

"Essa data pode e será ajustada caso seja necessário na evolução da situação, a fim de alcançar uma contagem completa e precisa", declarou o Escritório do Censo em comunicado.

"Este é um desafio muito grande para um censo que já enfrentava desafios", como a realização da contagem durante uma campanha eleitoral turbulenta "e o pedido do governo para incluir uma pergunta de última hora sobre cidadania", que foi descartada pela Suprema Corte, afirmou à AFP a especialista em censos Terri Ann Lowenthal.

Embora o censo de 2020 seja o mais automatizado da história, Lowenthal estima que, para contar um quarto da população, ainda é necessário o contato humano.

A cidade de Nova York investiu 40 milhões de dólares para realizar uma grande campanha de informação com o objetivo de contar todos os seus habitantes, inclusive os mais de 500.000 imigrantes sem documento que temem que seus dados sejam usados pelo governo Trump para deportá-los.

Mas agora este trabalho que devia ser feito de porta em porta terá que ser realizado por telefone, SMS ou e-mail.

"Explico o que está em jogo: nossos hospitais, escolas, ruas, tudo!", afirmou à AFP Douglas Carrasquel, um venezuelano de 43 anos que trabalha para a Make the Road New York (MRNY), uma das 155 organizações comunitárias contratada pela prefeitura para a campanha.

Lowenthal alerta que isto pode trazer "consequências não desejadas" e afetar "a precisão" do resultado. "É muito cedo para decidir se a contagem deve ser extendida. Não temos uma bola de cristal para ver como o vírus vai evoluir".