Censo da Prefeitura mostra que Rio tem mais de 7 mil pessoas em situação de rua

O Globo
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Luiza Moraes / Agência O Globo

RIO - A Prefeiura do Rio divulgou nesta quarta-feira o Censo feito entre os dias 26 e 29 de outubro, apontando para a existência 7.272 pessoas em situação de rua na cidade. O número representa praticamente a metade dos 14 mil encontrados na última pesquisa, feita em 2016. A prefeitura justifica que a diferença se dá por conta da metodologia diversa da que foi utitilzada anteriormente.

— Até agora os dados eram obscuros. Em 2013, um levantamento apresentou 5 mil indivíduos vivendo nas ruas. Em 2016, eram mais de 14 mil. Entretanto, nenhum desses levantamentos apresentou uma metodologia específica, e por isso temos a certeza de que os números agora apresentados representam fielmente um raio-x da realidade da população em situação de rua — justificou a secretária municipal de Assistência Social, Tia Ju, para quem os dados, serão úteis na adoção de políticas públicas voltadas para essa população.

Do total de pesquisados, 5.469 foram encontradas na rua e outras 1.803 estão em situação de acolhimento institucional, ou seja, nos abrigos. Das que foram abordadas em situação de rua, 1.190 foram entrevistadas em cenas de uso de drogas. A maioria nasceu no Rio e quando perguntados responderam que um emprego os faria voltar ao lar.

De acordo com os dados coletados pelo recenseamento, homens são maioria. Eles representam 81% da população entrevistada. E, grande parte estão incluídos na faixa etária entre 31 e 45 anos. O Centro é o bairro com a maior concentração, com 1.442 pessoas. A predominância é de pessoas pretas e pardas entre a população em situação de rua da cidade, alcançando 79,6% do total.

A pesquisa também quis saber como a pandemia do novo coronavírus afetou este grupo. Dos entrevistados, 752 informaram ter ido para as ruas após o início da crise sanitária. A perda do emprego neste período foi apontada por 34% como o motivo para viverem nas calçadas e sob marquizes, enquanto 19% destacaram que a motivação foi a perda de moradia nesse período.

O recenseamento, que havia sido adiado no mês de março em função da pandemia de Covid-19, foi feito em cumprimento ao decreto nº 46483/2019. Pelo decreto, o recenseamento deve ser realizado a cada dois anos, para que o município mantenha atualização constante de informações e políticas públicas voltadas a este público.

Os questionários do levantamento foram aplicados por cerca de 400 funcionários das secretarias municipais de Assistência Social e Direitos Humanos, de Saúde, e do Instituto Pereira Passos (IPP). Para o levantamento, a Prefeitura optou pela contratação de uma empresa especializada em pesquisa para o emprego de recursos humanos na coleta e tratamento de dados. Através de licitação pública, na modalidade técnica e preço, foi selecionada a empresa Qualitest - Inteligência em Pesquisa.