Censo do IBGE contou 60 milhões de pessoas no Brasil em um mês

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 01.08.2022 - Recenseadores do IBGE realizam trabalho de campo na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 01.08.2022 - Recenseadores do IBGE realizam trabalho de campo na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em um mês de coleta de informações, o Censo Demográfico 2022 contou quase 60 milhões de pessoas no país, indicou nesta terça-feira (30) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O instituto planeja visitar moradores de cerca de 75 milhões de domicílios até o final de outubro, mas enfrenta críticas de recenseadores e dificuldades para preencher as vagas de trabalho temporário em parte dos estados.

Nas redes sociais, profissionais reclamam da demora na liberação de pagamentos. Em razão disso, prometem fazer greve a partir desta quinta (1º).

O IBGE associa a lentidão em parte dos repasses a questões como erros de cadastro e o grande volume de dados adicionados ao sistema na fase inicial da pesquisa. O instituto afirmou nesta terça que adotou medidas para agilizar os pagamentos e normalizar a situação.

Conforme Bruno Malheiros, coordenador de recursos humanos do IBGE, ainda há pendências "pontuais", mas sem o registro de atrasos generalizados.

"Não temos informação oficial de greve. A única informação que temos é de redes sociais. Trabalhamos fortemente para regularizar a situação dos recenseadores", afirmou o coordenador.

Esses profissionais são responsáveis pelas visitas aos domicílios e contam com salários variáveis. Ou seja, a remuneração da categoria depende da produção individual nos setores censitários –áreas rurais e urbanas em que o território é dividido.

Segundo o IBGE, após a conclusão das entrevistas em um setor, o trabalho dos recenseadores passa por supervisão que leva até dez dias corridos, e os pagamentos finais devem ser depositados nas respectivas contas em sequência, em até cinco dias úteis.

O instituto disse que buscou simplificar processos para garantir maior agilidade ao fluxo dos pagamentos parciais, uma opção que pode ser requisitada pelos trabalhadores. Além disso, sinalizou que mais recursos foram destinados para a ajuda de locomoção dos profissionais.

POPULAÇÃO RECENSEADA CHEGA A 59,6 MILHÕES

As entrevistas do Censo começaram em 1º de agosto. Até a manhã desta terça, a população recenseada chegou a 59,6 milhões.

O balanço detalhado mais recente, porém, vai até segunda-feira (29). Conforme os dados registrados até aquele momento, haviam sido recenseadas quase 58,3 milhões de pessoas em cerca de 20,3 milhões de domicílios.

Dessas, 36,51% estavam na região Nordeste, 35,51% no Sudeste, 11,87% no Sul, 9,44% no Norte e 6,67% no Centro-Oeste.

O IBGE avalia que a produtividade está em linha com o nível esperado e que a conclusão das entrevistas segue prevista para o final de outubro. O instituto, contudo, reconhece que enfrenta dificuldades com a falta de trabalhadores em parte das regiões.

Em termos gerais, o IBGE conta com 144,6 mil recenseadores já em ação, o equivalente a 78,8% do total de vagas disponíveis no Brasil.

O estado com maior déficit de profissionais é Mato Grosso, com 51,2% dos postos preenchidos. São Paulo também está abaixo da média nacional e vem logo na sequência, com uma taxa de 60,6%.

"Onde o desemprego é menor, é mais difícil despertar o interesse das pessoas para trabalharem temporariamente como recenseadoras. Além disso, em alguns locais, por questões específicas, a coleta foi iniciada um pouco depois", afirmou Luciano Duarte, gerente técnico do Censo.

Alagoas está com 99,6% das vagas ocupadas, a maior marca até o momento. A meta do IBGE é preencher pelo menos 85% das vagas disponíveis em cada unidade da federação.

Para isso, o instituto aposta em processos seletivos complementares, uma ferramenta prevista nas edições do Censo. O processo mais recente teve inscrições encerradas na segunda (29).

Considerando os 452,2 mil setores censitários urbanos e rurais do país, 38,4% estão sendo trabalhados no momento, acrescentou o IBGE.

A unidade da federação mais adiantada em termos de percentual de setores trabalhados é o Rio Grande do Norte (53%). Pernambuco (52,45%) e Distrito Federal (52,04%) vêm em seguida. Mato Grosso (21,81%), Roraima (25,75%) e São Paulo (29,63%) são os estados com os menores percentuais.

INDÍGENAS E QUILOMBOLAS

Segundo o IBGE, 450,1 mil indígenas e quase 386,8 mil quilombolas já foram contados. É a primeira vez que um Censo traz o recorte da população quilombola. Antes, esse grupo era contado na população de maneira geral.

Cerca de 2,3% dos domicílios se recusaram a responder aos questionários até o momento. O IBGE afirma que espera reduzir a porcentagem, após aplicar protocolos de insistência previstos na operação censitária.

O balanço parcial também indicou que 52,2% da população já recenseada é formada por mulheres. Os homens são 47,8%.

"Já conseguimos observar na pirâmide parcial o envelhecimento da população, com o topo da pirâmide mais avolumado, e picos nas idades de 40 e 20 anos, conforme o esperado", apontou Duarte.

O Censo costuma ser realizado de dez em dez anos. Trata-se do estudo mais detalhado sobre as características demográficas e socioeconômicas da população brasileira.

As informações apuradas servem como base para políticas públicas e podem influenciar até decisões de investimento de empresas.

A edição mais recente ocorreu em 2010. A nova pesquisa seria em 2020, mas foi adiada com as restrições provocadas pela pandemia de Covid-19.

Em 2021, o Censo foi travado pela segunda vez. O que impediu o trabalho à época foi o corte da verba prevista pelo governo federal.

Para a realização do estudo em 2022, o IBGE conta com um orçamento de cerca de R$ 2,3 bilhões. Inicialmente, as operações da nova edição haviam sido estimadas em mais de R$ 3 bilhões. O valor diminuiu após revisões.

Recenseadores também já relataram falta de segurança para trabalhar em determinadas regiões, além de ameaças de moradores que se recusam a recebê-los.

Cimar Azeredo, diretor de pesquisas do IBGE, reconheceu nesta terça as dificuldades. Ele chegou a citar casos de assalto em que recenseadores perderam seus dispositivos de coleta de informações.

Apesar desses episódios, o diretor classificou a operação como um "sucesso" até o momento. "Ninguém disse que não iríamos ter problemas."