Centenas de bolivianos protestam contra o triunfo de Arce

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Luis Arce (C), candidato do partido Movimento ao Socalismo (MAS), comemora sua vitória nas eleições presidenciais com seu companheiro de chapa, David Choquehuanca (D), em 19 de outubro de 2020 em La Paz, Bolívia
Luis Arce (C), candidato do partido Movimento ao Socalismo (MAS), comemora sua vitória nas eleições presidenciais com seu companheiro de chapa, David Choquehuanca (D), em 19 de outubro de 2020 em La Paz, Bolívia

Centenas de bolivianos se manifestaram nesta terça-feira (20) na cidade de Santa Cruz, reduto do candidato de direita Luis Fernando Camacho, em rejeição à eleição do esquerdista Luis Arce para a presidência do país.

“Isso é uma fraude, como sempre fez [o ex-presidente] Evo Morales (2006-2019)”, líder do partido Movimento ao Socialismo (MAS) que teve Arce como candidato, disse uma manifestante que se identificou apenas como Yeni a um repórter da AFP.

A mulher carregava uma bandeira verde e branca, símbolo de Santa Cruz, enquanto protestava em uma praça central da cidade mais rica da Bolívia.

A vitória de Arce "é como um tapa na cara", disse o manifestante Yasmani Acosta.

Algumas dezenas de pessoas também protestaram nesta terça-feira em frente à sede do Tribunal Eleitoral da região central da cidade de Cochabamba, denunciando uma suposta "fraude" nas eleições vencidas pelo candidato de esquerda.

Arce, herdeiro político de Morales, venceu as eleições com mais de 53% dos votos, superando o ex-presidente centrista Carlos Mesa, com 29%, e Camacho, com 14%, segundo a contagem oficial que avançou lentamente nesta terça-feira à noite, com 84% dos votos contados.

A vitória do opositor Arce por maioria absoluta no primeiro turno pegou os bolivianos de surpresa, após pesquisas que previam um segundo turno com Mesa.

“Vivemos momentos de incerteza gerados por uma péssima gestão do processo eleitoral”, disse Camacho em suas redes sociais.

Camacho foi um dos líderes da grande mobilização de Santa Cruz que exigiu a renúncia de Morales em 2019 em meio a denúncias de fraude nas eleições, nas quais o então presidente de esquerda havia sido reeleito, no primeiro turno, para um quarto mandato.

Entre outubro e novembro de 2019, mobilizações massivas em várias cidades bolivianas exigiram a renúncia de Morales, que finalmente entregou o cargo e segue refugiado na Argentina. Os distúrbios deixaram mais de 30 mortos e 800 feridos, segundo a ONU.

Camacho também criticou a decisão do Tribunal Eleitoral de suspender seu sistema de contagem rápida e ter apenas uma contagem oficial lenta.

“Essa foi nossa principal arma para detectar fraudes em 2019 e agora não a temos”, disse Camacho, apelidado de 'Bolsonaro boliviano', uma associação ao presidente do Brasil.

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