Centenas de crianças ameríndias morreram em internatos federais nos EUA

Entrada da antiga escola indígena americana Genoa em Nebraska, onde pesquisadores indicam que teriam ocorrido dezenas de mortes de crianças indígenas americanas (AFP/Stacy Revere) (Stacy Revere)

Mais de 500 crianças de minorias ameríndias do Alasca e do Havaí morreram em internatos federais nos Estados Unidos entre 1819 e 1969.

Segundo um relatório do departamento de assuntos indígenas publicado nesta quarta-feira (11), os menores também foram vítimas de abusos.

Sepulturas identificadas e anônimas foram encontradas em 53 abrigos para menores que eram separados de suas famílias com o objetivo de assimilação, segundo o texto sobre o "sistema federal de internatos para indígenas".

Restos de "mais de 500 ameríndios, nativos do Alasca e do Havaí" foram encontrados em 19 destes estabelecimentos, afirma o relatório. O estudo destaca que as autoridades "esperam que o número de sepulturas identificadas" aumente com o avanço das investigações.

O local das sepulturas não foi revelado para evitar "saques, vandalismo e outras perturbações", detalharam os autores.

O relatório é a primeira parte de uma grande investigação lançada pelo Ministério do Interior, após mais de mil sepulturas de crianças indígenas serem encontradas nas instalações de antigos internatos em 2021.

Entre 1819 e 1969, o "sistema federal de internatos para indígenas" era composto por 408 escolas em 37 estados e territórios americanos, 21 delas no Alasca e sete no Havaí, segundo o estudo solicitado pela secretária do Interior, Deb Haaland, também ameríndia.

"As consequências das políticas do 'sistema federal de internatos para indígenas' -incluindo o trauma causado pela separação das famílias e da erradicação cultural impostas à gerações de índios a partir de quatro anos de idade- são inegáveis e comoventes", disse Haaland em nota.

- Métodos de terror -

O programa federal "utilizou métodos sistemáticos de alteração da identidade para a assimilação através da educação" em crianças de comunidades nativas, mudando seus nomes e cortando seus cabelos.

Deborah Parker, da coalizão nacional de saúde dos nativos americanos, destacou as consequências destas escolas a longo prazo.

"Depois de gerações, ainda não sabemos quantas crianças estiveram lá. Quantas morreram, quantas passaram suas vidas assustadas nestas instituições federais", disse Parker em coletiva de imprensa.

Estes centros desestimulavam ou evitavam que as crianças falassem sua língua nativa e focavam no ensino de habilidades técnicas e trabalhos manuais "com perspectivas de emprego frequentemente sem relação com a economia industrial americana, afetando as economias tribais", segundo o estudo.

Os castigos corporais eram frequentes, assim como o isolamento, a privação de comida, a flagelação, surras e o uso de algemas. Ainda segundo o texto, crianças maiores eram obrigadas a castigar as menores.

O escritório para assuntos indígenas tenta acompanhar a investigação para determinar os números totais de crianças nestas escolas e de túmulos além de identificar as crianças enterradas nestes locais.

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