Centrais sindicais pedem investigação de racismo em lojas do McDonald's

Cleide Carvalho
Protesto contra racismo na rede McDonald's em São Paulo

SÃO PAULO. Trêscentrais sindicais encaminharam nesta segunda-feira um pedido paraque o Ministério Público do Trabalho investigue racismoinstitucional nas lojas do McDonald's no Brasil. Segundo as centrais,o documento apresenta relato de 16 ex-funcionários do McDonald’sque teriam sido humilhados e assediados por supervisores em quatroestados, num período de cinco anos. Os crimes incluiriam expressõespejorativas em relação à cor das vítimas e ofensas sobre ocabelo. Uma das vítimas relatou ao Ministério Público do Paranáque foi impedida de trabalhar num evento internacional da rede emfunção da cor da pele e que o evento também excluiu pessoas gordase homossexuais.

As centrais sindicais -UGT, CUT e Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio eServiços (Contracs) - querem que o McDonald's, que emprega 40 milpessoas no país, tome iniciativas para impedir casos de racismo eque seja feito um censo na empresa para aferir a quantidade defuncionários negros que trabalham na rede, seus cargos, renda média,idade e gênero, entre outros dados.

A denúncia foiencaminhada à Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade deOportunidades da Procuradoria Regional do Ministério Público doTrabalho de São Paulo, presidida pela procuradora Adriane Reis deAraújo, e responsável pela aplicação de leis contra discriminaçãono trabalho. Os sindicalistas pedem que seja criada uma força-tarefapara investigar casos em todo o país, ampliando apurações em cursona Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região, em Curitiba.

Julimar Roberto,presidente da Contracs, afirmou que o pedido foi feito em conjuntocom a Seiu, Sindicato Internacional dos Trabalhadores (as) emServiços, dos Estados Unidos.

-- Pelo que vimos, aquestão é estrutural na rede e não acontece apenas no Brasil -- dizele.

O advogado AlessandroVietri, responsável pelo pedido, afirmou que a empresa deveesclarecer se existem programas de conscientização sobre a questãoracial e treinamento para os gerentes. Ele diz ainda que é essencialque haja um canal eficiente e sigiloso de denúncias, para que asvítimas, a maioria jovens, muitos menores de 18 anos, possamdenunciar de forma segura.

Ricardo Patah,presidente da UGT, afirmou que muitos dos trabalhadores da rede, alémde muito jovens, são arrimo de família, o que dificulta asdenúncias.

-- Queremos respeito eigualdade de oportunidades. Todos falam em igualdade, mas narealidade, nua e crua, não tem - afirma o sindicalista.

A Arcos Dorados, empresa que detém a maioria das lojas da rede no Brasil, afirmou que não teve acesso ao documento e, portanto, não pode se posicionar.

Em nota, informou ainda que "reitera o seu total compromisso com a promoção de um ambiente de trabalho inclusivo e de respeito. Além disso, a companhia informa que não tolera nenhuma prática de assédio ou discriminação.

A empresa promove periodicamente treinamentos baseados em seu Código de Conduta, para comunicar e conscientizar funcionários sobre seus valores corporativos em relação à diversidade e forma de ser".

Afirmou ainda que mantém canal para denúncias e que trata com confidencialidade e rigor as que recebe.

Em maio passado, oMcDonald’s foi denunciado à Organização para a Cooperação e oDesenvolvimento Econômico (OCDE), na Holanda, por uma coalizaçãomundial representada por sindicatos de sete países, entre eles aUGT, que entregou às autoridades locais um documento com váriasdenúncias de racismo e assédio sexual, sendo 23 deles no Brasil.

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