Centrais sindicais vão participar de atos de 12 de setembro pelo impeachment de Bolsonaro

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29.03.2018: Manifestação de grupos tais quais o MBL (Movimento Brasil Livre) na avenida Paulista, região central de São Paulo. (Foto: Joel Silva/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29.03.2018: Manifestação de grupos tais quais o MBL (Movimento Brasil Livre) na avenida Paulista, região central de São Paulo. (Foto: Joel Silva/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quatro das maiores centrais sindicais do país decidiram aderir às manifestações pelo impeachment de Jair Bolsonaro marcadas para 12 de setembro. Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central tomaram a decisão de convocar seus filiados após os discursos golpistas do presidente no Sete de Setembro.

Existe na esquerda alguma resistência a aderir aos atos de domingo (12), dado que eles têm sido promovidos pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e o VPR (Vem Pra Rua), compostos por políticos da direita não bolsonarista.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, chegou a conversar com lideranças do MBL e disse não concordar com o mote que tem sido entoado de "nem Bolsonaro nem Lula", e teve o retorno de que a prioridade dos atos é pressionar pelo impeachment do presidente.

Em nota, as centrais afirmam que a participação de Bolsonaro nos atos desta terça-feira (7) foi deplorável.

"É inquestionável que o objetivo do Presidente e de seus apoiadores é dividir a Nação, empurrar o país para a insegurança, o caos e a anarquia, resultado da reiterada incitação ao rompimento da legalidade institucional, do descumprimento dos preceitos contidos na nossa Constituição democrática", diz o texto.

As centrais afirmam que a Câmara, o Senado, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal têm a obrigação de implementar o processo de impeachment, sem tergiversações.

"Seu único interesse é permanecer aferrado ao poder mesmo que isso signifique romper a legalidade democrática, visto que é cada vez mais evidente seu isolamento político e a perda de apoio popular, em suma, seu projeto de reeleição escorre entre os dedos", completa o texto, assinado por Miguel Torres (Força), Ricardo Patah (UGT), Antonio Neto (CSB) e José Reginaldo Inácio (Nova Central).

Nesta terça (7), na Paulista, Bolsonaro repetiu as ameaças golpistas contra o STF (Supremo Tribunal Federal), exortou desobediência às decisões do ministro Alexandre de Moraes e desafiou quem o investiga. "[quero] Dizer aos canalhas que eu nunca serei preso."

"Nós devemos sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade. Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou."

O atos em Brasília e em São Paulo, marcados por pautas autoritárias e golpistas, representam uma minoria no país. Pesquisa Datafolha de junho mostrou que 75% dos brasileiros consideram o regime democrático o mais adequado, enquanto 10% afirmam que a ditadura é aceitável em algumas ocasiões.

Anunciado por Bolsonaro nos últimos dois meses como uma espécie de tudo ou nada para ele, as manifestações do Sete de Setembro podem ampliar o seu isolamento político, no momento em que, de olho em 2022, depende do STF e do Congresso para a liberação de recursos e aprovaçção de projetos.

Veja a nota das centrais na íntegra abaixo

"Foi deplorável a participação do Presidente Jair Bolsonaro nos atos antidemocráticos realizados no dia que deveríamos comemorar o 199º aniversário da Independência do Brasil.

É inquestionável que o objetivo do Presidente e de seus apoiadores é dividir a Nação, empurrar o país para a insegurança, o caos e a anarquia, resultado da reiterada incitação ao rompimento da legalidade institucional, do descumprimento dos preceitos contidos na nossa Constituição democrática.

Os discursos do Presidente soam como confissão: agitar contra a democracia e o Supremo Tribunal Federal é crime tipificado na Constituição da República Federativa do Brasil —crime de responsabilidade, no qual ele deve ser enquadrado imediatamente, abrindo-se o processo de impeachment.

A Câmara dos Deputados, o Senado Federal, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal tem a obrigação de cumprir com seu papel constitucional e implementar o processo de impedimento, sem tergiversações.

A pauta única de Bolsonaro, golpista e antidemocrática, é tão evidente que não ouvimos do presidente nenhuma palavra para aliviar a situação grave do emprego, do preço da carne e, principalmente, da cesta básica, dos aumentos da energia elétrica e dos combustíveis, dos baixos salários, ou seja, nada que interesse à população e aos trabalhadores ou que aponte para um projeto para o pais.

Seu único interesse é permanecer aferrado ao poder mesmo que isso signifique romper a legalidade democrática, visto que é cada vez mais evidente seu isolamento político e a perda de apoio popular, em suma, seu projeto de reeleição escorre entre os dedos.

Conclamamos todos os setores políticos democráticos, as organizações representativas da sociedade civil, o mundo da ciência e da cultura, os trabalhadores e suas entidades sindicais a cerrar fileiras em defesa da democracia e das instituições da República.

A maioria da população tem pronunciado que não aceita os ataques do presidente às instituições constituídas. No próximo dia 12 de setembro será realizado um grande ato na Av. Paulista, em São Paulo/SP, pelo impeachment de Bolsonaro, ato que convocamos e participaremos. Nossa linha é, sempre, frente ampla em defesa do Brasil e da democracia! É hora de decisão e a decisão clara é impeachment já!"

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