Centrão sai fortalecido: Entenda o desempenho dos partidos políticos nas eleições de 2020

Ana Paula Ramos
·5 minuto de leitura
Brazil's Lower House's President Rodrigo Maia, left, and Senate leader David Alcolumbre, share a light moment during the opening of the new legislature at the National Congress, in Brasilia, Brazil, Monday, Feb. 4, 2019. (AP Photo/Eraldo Peres)
Brazil's Lower House's President Rodrigo Maia, left, and Senate leader David Alcolumbre, share a light moment during the opening of the new legislature at the National Congress, in Brasilia, Brazil, Monday, Feb. 4, 2019. (AP Photo/Eraldo Peres)

Se em 2018, as eleições foram marcadas por um clima de “renovação” e de crítica à “política tradicional”, as eleições municipais deste ano representaram um fortalecimento de nomes e de partidos tradicionais da “velha política”.

O MDB continua como o partido com o maior número de prefeituras do Brasil. Até o momento, conseguiu eleger 766 prefeitos e tem sete candidatos na disputa pelo segundo turno em capitais.

Leia também

O partido pode levar ainda as prefeituras de Porto Alegre, de Boa Vista, de Cuiabá, de Goiânia, de João Pessoa, de Maceió e de Teresina.

No entanto, em comparação com a última eleição municipal, o partido encolheu cerca de 26%. Em 2016, foram 1.044 eleitos.

DEM

Embora ocupe a quinta posição no número de prefeituras, o DEM - partido dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (AP) e Rodrigo Maia (RJ) - foi um dos com maior crescimento neste pleito.

O Democratas elegeu 190 prefeitos a mais nestas eleições, com crescimento de mais de 70%. A legenda passou de 268 prefeituras, em 2016, para 458 neste ano.

E ainda pode eleger o chefe do Executivo municipal do Rio de Janeiro, já que Eduardo Paes disputa como favorito o segundo turno com o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

Como as eleições de Amapá foram adiadas devido ao apagão, o partido pode ter também a vitória de Josiel Alcolumbre, que liderava as pesquisas em Macapá.

Além disso, a sigla teve um resultado expressivo ao vencer em primeiro turno com Rafael Greca em Curitiba e Gean Loureiro em Florianópolis, que se reelegeram, e com Bruno Reis, atual vice-prefeito de ACM Neto em Salvador.

CENTRÃO

Os partidos chamados de Centrão também saíram fortalecidos. O PP saltou de 495 prefeituras para 672, um aumento de 35,8% na comparação com 2016. A sigla pode eleger ainda prefeitos em João Pessoa, Rio Branco e Porto Velho.

O PSD conquistou no primeiro turno 640 prefeituras, número 18,7% maior que o de 2016 (539) e concorre no segundo turno em Goiânia.

PSDB

O PSDB, partido do governador João Doria (SP), ficou em quarto lugar no número de prefeituras até o momento. Elegeu 497 prefeitos e pode ganhar ainda, no segundo turno, em São Paulo, com o atual prefeito Bruno Covas, além de Porto Velho e Teresina.

Por outro lado, foi o partido que mais perdeu prefeituras: passou de 799 para 497, uma redução de cerca de 37%, porém, pode ter um aumento no total de eleitores governados.

PT

Maior partido da esquerda, o PT até o momento conseguiu 189 prefeitos - 65 a menos que em 2016. A legenda ainda disputa no segundo turno as prefeituras de Recife e Vitória. Ele ocupa a quinta posição no ranking dos partidos com maior número de governos municipais.

Apesar de a legenda ter uma redução de 25,5% no número de prefeitos, o saldo é positivo, pois tem a chance de aumentar o número de eleitores governados.PT ainda tem 15 prefeitos na disputa no segundo turno. Nas eleições de 2016, ano do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, o partido conseguiu eleger prefeito apenas em uma cidade grande: Rio Branco (AC).

O fracasso petista neste ano, porém, foi marcado pela eleição na capital paulista. O candidato do PT, Jilmar Tatto, ficou em sexto lugar, com apenas 8,6% dos votos. É a primeira vez desde 1988 que um candidato do Partido dos Trabalhadores não fica em primeiro ou segundo nas eleições em São Paulo.

PSL

O PSL, que cresceu mais de 500% na eleição de 2018, quando o presidente Jair Bolsonaro disputou a Presidência pelo partido, teve um crescimento nesta eleição de quase 200% em relação a 2016.

A legenda elegeu 87 prefeitos no domingo - 57 a mais que em 2016, embora tenha registrado derrotas significativas.

A deputada federal Joice Hasselmann foi eleita em 2018 com mais de 1 milhão de votos em todo o estado, sendo 289 mil apenas na capital paulista. Candidata à Prefeitura de São Paulo neste ano, teve 98 mil e ficou em sétimo lugar.

O candidato do PSL no Rio de Janeiro, o deputado federal Luiz Lima obteve 180 mil votos e ficou em quinto lugar no estado.

Nenhum dos dois recebeu o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Hasselmann, inclusive, é desafeto da família Bolsonaro, que não queria que ela concorresse à prefeitura de São Paulo. Bolsonaro apoiou Celso Russomanno (Republicanos), que ficou em quarto lugar na disputa.

Mas ter o presidente como padrinho político não foi sinônimo de crescimento nas urnas. Após uma semana em que o chefe do Executivo dedicou-se a pedir votos para candidatos em lives, no que chamou de “horário eleitoral gratuito”, só quatro dos 13 postulantes a prefeito divulgados por ele tiveram sucesso no primeiro turno.

Nas capitais, só Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, e Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza, continuam na disputa no segundo turno.

PSOL

Nas eleições municipais deste ano, o PSOL aumentou em 50% o número de mandatos parlamentares eleitos para as Câmara Municipais de todas as capitais brasileiras. O número de prefeitos eleitos também cresceu de dois, em 2016, para cinco neste ano.

O partido ainda tem chance de aumentar esse número. O destaque é para Guilherme Boulos, que chegou ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de São Paulo, e Edmilson Rodrigues, que concorre em Belém.