Centro da crise de 2008, setor imobiliário dos EUA esbanja saúde

Julie CHABANAS
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Casa vendida em Washington, em 19 de novembro de 2020

Centro da crise financeira de 2008 com os créditos de alto risco, o setor imobiliário goza de boa saúde nos Estados Unidos, alimentado por baixas taxas de juros e pela demanda de propriedades daqueles que se mudam em função do trabalho remoto e em um momento complicado pela pandemia.

Novos ou velhos, casas e apartamentos foram vendidos como pão quente em 2020, quando as vendas de imóveis usados atingiram um pico desde 2006, pouco antes do estouro da bolha imobiliária que levou à crise financeira de 2008 e à Grande Recessão de 2009.

No total, 5,64 milhões de residências foram revendidas em 2020, "um aumento de 5,6% em relação a 2019", disse a Federação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR).

As taxas de juros sobre empréstimos hipotecários estão em um mínimo histórico, perto de zero, desde o início da crise do coronavírus e não vão subir tão cedo.

Muitos trabalhadores não retornaram para seus escritórios nos Estados Unidos e provavelmente continuarão a trabalhar de casa pelo menos parte da semana, quando a pandemia estiver sob controle.

Assim, sem a necessidade de residir em apartamentos muito pequenos para estarem perto de seus empregos no centro da cidade, muitas famílias decidiram comprar casas mais afastadas, com áreas externas, como residência principal, ou secundária.

Já os preços dos veículos usados subiram 10% em 2020, a maior alta em 40 anos, impulsionados por essa mudança para a periferia.

O boom imobiliário não deve parar em 2021, "com novos compradores esperados no mercado", destaca Lawrence Yun, economista-chefe da NAR.

Com o avanço da vacinação e a perspectiva de ajuda financeira estatal adicional, a situação pode melhorar nos próximos meses para muitos americanos.

As imagens de casas abandonadas por seus ocupantes em 2008 e 2009 por não terem podido pagar as hipotecas, não são reproduzidas durante essa nova crise econômica. Naquela época, a crise resultou do estouro de uma bolha de preços de imóveis, alimentada por empréstimos imobiliários vinculados a produtos financeiros complexos com aumento das taxas de juros variáveis, o que arruinou muitos americanos.

Esse renascimento da demanda por moradias, da qual ficam de fora as pessoas mais modestas que não têm acesso ao crédito à altura do custo de um imóvel, está fazendo os preços das casas usadas subirem.

No mês passado, esse aumento foi de 12,9% em relação a dezembro de 2019, para uma média de US$ 309,8 mil por unidade.

A demanda é tanta que 70% das casas foram vendidas em menos de um mês: a média é de 21 dias, contra 41 dias atrás.

"As construções e licenças para construir estão aumentando, e a demanda é forte", resume Rubeela Farooqi, economista da HFE Snapshot.

A venda de casas vai continuar, e "a limitação vem dos estoques baixíssimos que fazem os preços subirem e podem ter impacto no acesso no futuro", alertou a especialista.

Essa escassez reduziu os compromissos de compra e venda em novembro com relação a outubro.

O Departamento de Comércio estimou o aumento no número de novas construções em 7% em 2020.

"Muitas novas casas serão necessárias em 2021 e 2022 para abastecer o mercado e atender à demanda", concluiu Yun.

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