Centro-esquerda israelense tenta reunir forças para derrotar Netanyahu

Elías L. Benarroch.

Jerusalém, 4 dez (EFE).- Com as eleições marcadas para 17 de março, vários partidos políticos israelenses iniciaram contatos para criar uma frente de centro-esquerda que retire do poder a coalizão de Benjamin Netanyahu, que realiza uma campanha para salvar seu Executivo.

A iniciativa, que tem como objetivo criar uma grande frente democrata contra o avanço dos partidos nacionalistas e religiosos, foi defendida pelo Partido Trabalhista e o pacifista Meretz. Até agora, porém, pouco foi conseguido.

Na prática, os partidos ainda não conseguiram formar uma aliança formal, mas uma frente pacifista aprovou uma incomum campanha de toda a centro-esquerda israelense sob o título de "Tudo menos Bibi" (apelido de Benjamin Netanyahu no país).

As pesquisas para as eleições de 17 de março, marcada após uma crise de meses no atual Executivo israelense, dão a vitória ao líder do Likud com apenas 22 cadeiras, e preveem um fortalecimento do partido colonizador "Lar Judeu", que passaria de 12 para 17 deputados.

Com este eixo político, Netanyahu pretende construir uma futura coalizão nacionalista religiosa e dirigir o que seria seu terceiro governo consecutivo e o quarto de sua carreira.

Nestas eleições, que serão realizadas apenas dois anos depois do pleito anterior, Israel deverá decidir que tipo de Estado e sociedade quer, sustentou a colunista Ravit Hecht em artigo publicado no jornal progressista "Haaretz".

"Israel deverá se olhar no espelho e decidir se quer um Estado judeu nacionalista isolado (do mundo) ou um liberal, democrático e secular", opinou.

Um recente projeto de lei aprovado pelo governo para declarar Israel como "Estado judeu", assim como as recentes iniciativas que tiveram sua constitucionalidade questionada, dispararam o alarme nos setores laicos e, pela primeira vez, geraram a sensação de que só unidos poderão conter a direita.

"É preciso entender que estas eleições são cruciais", disse à Rádio Militar o trabalhista Herzog. O político disse que "não descarta nenhum aliado" para que Netanyahu não volte para a rua Balfour, a residência oficial.

O ex-ministro de Finanças e líder do Yesh Atid, Yair Lapid, assim como a ex-ministra de Justiça, Tzipi Livni, chefe do Hatenua, mostraram-se partidários de conversas, embora saibam que para isso poderiam ter que ceder a cabeça da chapa para Herzog.

O objetivo dos três é transmitir ao eleitorado uma sensação de cansaço em relação a Netanyahu, que desde 2009 governou em linha com os partidos e políticos mais nacionalistas, em sua imensa maioria reticentes a negociar com os palestinos.

À espera dos primeiros contatos entre os partidos de centro, e que a lei de dissolução do parlamento seja aprovada definitivamente na próxima semana, fontes próximas ao governo asseguraram hoje que o primeiro-ministro não descarta ainda a possibilidade de formar um novo Executivo sem precisar ir às urnas.

Vários meios de comunicação informaram hoje que, por meio de intermediários, Netanyahu procurou convencer membros do partido Yesh Atid a deixar a legenda.

Um membro do Likud "nos disse que seria uma pena que não estivéssemos no parlamento depois das eleições e que seria melhor nos unir a Netanyahu para sobreviver politicamente", disse ao "Haaretz" um membro do partido.

O primeiro-ministro, que nos últimos dias reiterou seus ataques a Lapid, afirmou que a denúncia nada mais é do que uma "sondagem política" para chamar a atenção, em função da queda do Yesh Atid nas enquetes, de 19 para nove cadeiras.

"Netanyahu está em pânico. Sabe que vai perder seu posto e por isso faz todo o possível para evitar a eleições", respondeu Lapid, que foi destituído do cargo de ministro na terça-feira ao lado de Tzipi Livni. EFE