CEO da Dream2B relembra perrengues com idioma e falta de emprego no Canadá

Com formação em comércio exterior e experiência em multinacionais como a Sadia, Regina Noppe abraçou o desafio de morar fora do país e se mudou para o Canadá em 2005. Além da barreira inicial com a falta de fluência da língua inglesa, ela afirma ter encontrado resistência para se colocar no mercado de trabalho do país.

“Foi bem difícil, porque, mesmo tendo experiências internacionais e tendo saído do Brasil já na posição de trader, eu não conseguia emprego no Canadá. Eu considero que foi um perrengue, porque foi como zerar a vida, eu estava o tempo todo sendo julgada”, relembra Regina.

Ao perceber a oferta de oportunidades que o país dava a empreendedores, Regina recalculou a rota, abandonou definitivamente o mundo corporativo e fundou, em 2015, a Dream2B, uma venture builder que, hoje, já levou mais de 50 startups brasileiras para aceleração no Canadá.

Dificuldade com idioma no Canadá levou a CEO da Dream2B a empreender
Dificuldade com idioma no Canadá levou a CEO da Dream2B a empreender

Se hoje a empreendedora comemora a trajetória da Dream2B e o recente aporte de US$10 milhões oferecido pela canadense Victory Square para um novo programa de internacionalização de startups, ela relembra os desafios no começo do negócio: “Foi um trabalho realmente de formiguinha. Desde o início, foi desafiador fazer parcerias e ter que ‘evangelizar’ o ecossistema e os empreendedores”, afirma Regina.

'Como se estivesse contando para a avó', diz CEO sobre pitch

Se o pitch for apresentado para uma audiência estrangeira, começar com uma historinha pode não ser a melhor estratégia. Regina recomenda dar prioridade aos números da empresa. “Nós sabemos como o brasileiro é charmoso e tem uma boa lábia, mas, lá fora, você precisa saber muito bem os seus números e chegar de forma direta”, aconselha a empreendedora.

Outro ponto que deve receber especial atenção é o encerramento do pitch. Mesmo que o intuito não seja captar recursos em determinado momento, Regina explica que é fundamental esclarecer qual a necessidade da empresa: parcerias, mentorias e contatos são exemplos de objetivos de um empreendedor. No entanto, é preciso segurar a ansiedade e deixar este objetivo para o final. “Eu já vi gente, desde o início, falando o que quer. Mas é preciso envolver o investidor antes”, afirma Regina.