CEO de gigante energética da África é envenenado com cianeto

Andre de Ruyter, CEO Eskom, maior empresa de energia da África. (REUTERS/Sumaya Hisham)
Andre de Ruyter, CEO Eskom, maior empresa de energia da África. (REUTERS/Sumaya Hisham)
  • Eskom é responsável pela produção de 90% da energia da África do Sul;

  • CEO havia acabado de renunciar, mas informação não era pública;

  • Andre de Ruyter teve muitos embates com o governo sul-africano durante sua gestão da empresa.

Andre De Ruyter, CEO da Eskom, uma das maiores empresas produtoras de energia da África, sofreu um atentado à sua vida ao beber uma xícara de café contaminada com cianeto. O CEO havia acabado de renunciar a seu cargo, mas essa informação ainda não era pública.

O atentado, que teria ocorrido no dia 13 de dezembro em seu escritório em Joanesburgo, falhou em tirar a vida de De Ruyter, que sobreviveu após ser levado rapidamente ao hospital, onde foi diagnosticado com envenenamento por cianeto e tratado.

“Eu relatei o assunto ao SAPS (Serviço de Polícia da África do Sul) em 5 de janeiro de 2023, e o caso pode ser considerado sob investigação”, disse De Ruyter à EE Business Intelligence, que primeiro divulgou a notícia.

A Eskom produz cerca de 90% da eletricidade da África do Sul, e o atentado contra seu CEO foi encarado como um episódio drástico na "batalha que ocorre entre aqueles que querem que a África do Sul funcione e prospere; e aqueles que querem se enriquecer de forma corrupta", afirmou o ministro das Empresas Públicas da África do Sul, Pravin Gordhan, ao Financial Times. "Este atentado contra sua vida será investigado minuciosamente e os responsáveis devem ser indiciados."

Segundo a EE Business Intelligence, desde que assumiu o cargo de CEO da Eskom, De Ruyter tentou agir para coibir a corrupção do setor de energia da África do Sul, entrando em conflito com o governo do país, sendo acusado de "incitar ativamente a derrubada do estado" pelo ministro da Energia e Recursos Naturais da África do Sul, Gwede Mantashe.

Segundo o Financial Times, a máquina de café do escritório da Eskom estava com defeitos no momento do incidente, tendo sido servido um café de outra proveniência para De Ruyter. Após ingerir a bebida, o CEO ficou "fraco, tonto e confuso", informou a EE Business Intelligence, citando uma fonte não identificada. Ele estava tremendo, vomitando e desmaiou antes de ser levado ao hospital.

O CEO permanecerá em seu cargo até março de 2023, enquanto se busca um substituto. A renúncia, que havia sido entregue ao presidente da Eskom, Mpho Makwana, dias antes do envenenamento, ocorreu em meio a confrontos com o governo sul-africano. Apagões em massa permeiam a realidade de todo o país, que ficou 188 dias sem energia em 2022 como resultado de falhas inesperadas nas geradoras da Eskom, segundo a Bloomberg.

Nesta segunda-feira (09), o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa afirmou que a renúncia do CEO se deu porque o cargo de dirigir a Eskom "é um trabalho difícil". O político prometeu também um novo plano para resolver o problema de cortes de energia no país.