Cepal sobe projeção de crescimento para América Latina e Caribe de 4,1% para 5,2% em 2021

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Alicia Bárcena, secretária-geral da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) estimou nesta quinta-feira(8) uma projeção de crescimento para a região de 5,2% em 2021, um aumento em relação à estimativa de 4,1% em abril.

Porém, a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, destacou que o aumento "não será suficiente" para recuperar a queda de 2020 e garantir o "crescimento sustentado", na apresentação do relatório regional atualizado em Santiago, onde fica a sede do órgão da ONU.

Bárcena acrescentou que para 2022 a previsão é de um crescimento de 2,9%, ao apresentar o relatório “O paradoxo da recuperação da América Latina e do Caribe. Crescimento com persistentes problemas estruturais: desigualdade, pobreza, pouco investimento e baixa produtividade”.

- Paradoxo da recuperação -

“Esse é o paradoxo da recuperação porque há uma grande heterogeneidade dentro da região e uma enorme incerteza. Em termos gerais a região caiu 6,8% em 2020 e em 2021 há essa recuperação relativa de 5,2%. É uma notícia muito boa, ninguém duvida, mas em 2022 voltaremos a trajetórias de baixo crescimento ”, disse.

Essa "desaceleração" esperada para o próximo ano após a retomada de 2021 se deve ao fato de que os problemas estruturais que limitavam o crescimento da região antes da pandemia "se agravaram" e terão um impacto negativo na recuperação da atividade econômica e nos mercados de trabalho, além da retomada do crescimento de 2021 e 2022, explicou a Cepal em seu relatório.

“Ao final de 2022, 19 dos 33 países não terão recuperado o PIB de 2019. Essa é a conta que deve ser feita, se somarmos a recuperação de 2021 e 2022, verificaremos quem alcança e quem não alcança”, disse a secretária.

Entre os poucos que conseguiram alcançar a meta de contornar a crise econômica causada pelo desastre sanitário do coronavírus, Bárcena mencionou "Chile, República Dominicana e alguns países caribenhos de língua inglesa".

Bárcena mencionou a importância de “reativar o investimento com mudanças estruturais” como mecanismo de sustentação do crescimento.

“Mudanças profundas na estrutura produtiva, porque senão continuaremos presos nas chamadas armadilhas dos países de renda média. Com baixa arrecadação, baixa produtividade, não vamos crescer em inovação tecnológica”, afirmou.

-Pandemia, pobreza e desigualdade-

Além das restrições geradas pelo lento andamento da vacinação na região, a pobreza e a pobreza extrema estão aumentando. No último ano, a taxa de pobreza extrema atingiu 12,5% e a de pobreza 33,7%, apesar dos “auxílios emergenciais” feitos por muitos governos aos setores mais vulneráveis.

Estas transferências “permitiram mitigar o aumento da pobreza na região em 2020”, indicou a agência, cujos dados confirmam um aumento de 189 milhões de pessoas vivendo na pobreza em 2019 para 209 milhões.

apg/pb/mr/jc

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