CEPERJ: funcionários ganharam até três salários, diz Ministério Público

Investigações a respeito dos cargos secretos da Fundação Ceperj mostram que 941 pessoas que estavam na lista de pagamento também receberam salários de outros órgãos públicos. Foto: Getty Images.
Investigações a respeito dos cargos secretos da Fundação Ceperj mostram que 941 pessoas que estavam na lista de pagamento também receberam salários de outros órgãos públicos. Foto: Getty Images.
  • CEPERJ: 941 pessoas que estavam na lista de pagamento também receberam salários de outros órgãos públicos;

  • Há também CPFs com registro de óbito que estavam recebendo recursos;

  • Um vereador recebeu cerca de R$ 23 mil em um mês.

Investigações a respeito dos cargos secretos da Fundação Ceperj mostram que 941 pessoas que estavam na lista de pagamento também receberam salários de outros órgãos públicos. Os dados do Ministério Público e do Tribunal de Contas também relevam que funcionários ganharam até três salários num único mês. Há também CPFs com registro de óbito que estavam recebendo recursos. As informações são do G1.

Na lista aparecem nomes como Ingrid Junger de Assis, assistente jurídica da Câmara Municipal do município de Duque de Caxias. A funcionária recebeu R$ 28 mil em junho e mais dois salários pelo Ceperj (um de R$ 6,4 mil e outro de R$ 5 mil). Mais 27 servidores também receberam 3 salários.

O MP identificou 13 bombeiros, 22 policiais militares, e pelo menos 87 funcionários de 16 secretarias estaduais que acumularam cargos de forma irregular em junho. Entre eles estão 17 funcionários da Secretaria de Trabalho e Renda, 16 da Secretaria de Governo, sete da Secretaria de Planejamento, e seis da Casa Civil.

Gabriel dos Santos Silva, vereador de Vassouras pelo Partido Social Cristão, também aparece no levantamento. Entre junho e julho, ele recebeu mais de R$ 23,6 mil.

O caso da Ceperj, apurado pelo UOL, mostrou que cerca de 20 mil cargos temporários foram cedidos via Fundação sem publicação em Diário Oficial ou qualquer documento público. A verba também assusta: ordens bancárias para pagamentos de pessoas contratadas que somaram R$ 69,1 milhões só em julho deste ano; o total de pagamentos em 2022 chegou a R$ 226,4 milhões. Há indícios de uso político do dinheiro, o que o governo nega.

O Ceperj, que teve projetos suspensos para investigação do caso, tinha oito projetos sociais, como esporte e atendimento a população de rua no estado. Também foi apurado que a Secretaria Estadual de Educação transferiu R$ 58 milhões de seu orçamento para a Fundação, visando um projeto da pasta. O Ceperj é investigado pelo Ministério Público do Rio, o Tribunal de Contas do Estado e a Procuradoria Eleitoral.