Cerca de 2 mil pessoas acompanham enterro de Vitor Guarani Kaiowá, indígena morto em MS

O Conselho Missionário Indígena (Cimi) divulgou nesta segunda-feira que cerca de duas mil pessoas participaram de uma marcha durante o enterro de Vitor Guarani Kaiowá, indígena assassinado durante conflito entre indígenas e policiais militares, na última sexta-feira, no território Guapoy, em Amambai, no Mato Grosso do Sul.

“A marcha ocorre após a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF) realizarem um acordo com o fazendeiro que ocupa, atualmente, a área da retomada dos Guarani Kaiowá”, informou o Cimi.

A comissão guarani kaiowá de MS havia decidido não enterrar Vitor até que autoridades do Ministério Público Federal (MPF) estivessem no local.

Depois disso, a DPU e o PMF fizeram um acordo com o fazendeiro de que o enterro em cova fosse feito até 15 metros da cerca, uma forma de evitar um novo episódio de violência policial e permitindo, assim, que amigos e parentes de Vitor pudessem visitar o túmulo.

— Desde que o corpo foi liberado, fizeram um velório e mantiveram o corpo, demandando o direito de enterrar no território. E isso é uma questão importante para os povos Guarani Kaiowá. Eles fazem essa ligação: de onde tomba o guerreiro com a questão espiritual de estar plantado sobre a terra tradicional — afirmou um dos representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que, por segurança, decidiu não revelar sua identidade.

Caso Guapoy

Segundo a Cimi, fazendeiros da região e policiais militares invadiram o território de Guapoy, em Amambai, em Mato Grosso do Sul, na manhã do dia 24 de junho, com o intuito de expulsar, por meio do uso da força, os indígenas – mesmo não havendo ordem judicial. Os indígenas têm chamado a situação de “massacre de Guapoy”.

Na ocasião, policiais militares dispararam tiros de borracha e de arma de fogo contra os indígenas, deixando ao menos nove feridos e um morto – Vitor Guarani Kaiowá, de 42 anos. A comunidade denuncia ainda ser alvo de uma série de preconceitos e acusações que não encontra respaldo na realidade dos fatos.

A reserva de Amambai é a segunda maior do estado de Mato Grosso do Sul em termos populacionais, com quase 10 mil indígenas.

Para os Guarani Kaiowá, Guapoy é parte de um território tradicional que lhes foi roubado – quando houve a subtração de parte da reserva de Amambai.

Além de se solidarizar e seguir acompanhando o caso, o Cimi pede, com urgência, o envolvimento de órgãos federais, bem como do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), a fim de controlar a situação e investigar os episódios.

Versão do estado

Segundo o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, disse ainda na sexta-feira (24), o conflito se iniciou porque quando indígenas atacaram policiais militares que foram acionados para "coibir uma invasão" e garantir a “segurança daqueles que estavam nas residências". Videira alegou que a ida do Batalhão de Choque foi "necessária".

“A Polícia Militar foi atender uma ocorrência grave de crime contra o patrimônio com risco de morte eminente, tanto que nossos policiais foram recebidos a tiros. Nós vamos manter o reforço em toda aquela região para evitar novos confrontos”, explicou o secretário.

"Quando o Batalhão de Choque chegou, ele foi recebido a tiros. Três policiais foram atingidos", reforçou o secretário.

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