Cerca de 20% dos profissionais de saúde do município do Rio foram afastados com influenza e após chegada da Ômicron

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Cerca de 5,5 mil profissionais de saúde do Rio precisaram ser afastados por conta de Covid-19 ou influenza, de dezembro para cá. A informação é do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. O número inclui médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais, como farmacêuticos e maqueiros. De acordo com Soranz, o total de afastamentos corresponde a cerca de 20% da força de trabalho da secretaria.

— A maior parte dos afastamentos foi por Covid, agora. Isso gera sim muita pressão sobre o sistema como um todo, mas nós estamos conseguindo suprir essa força de trabalho, e muitos desses profissionais já estão voltando às atividades — explica.

Com o aumento do número de casos de Covid no Rio e o surgimento da variante Ômicron, cariocas estão correndo aos postos para se vacinar. Segundo o painel da prefeitura do Rio, nos últimos dois dias, foram aplicadas 1.853 primeiras doses. Soranz detalha o perfil dessas pessoas.

— São pessoas que se viram obrigadas a se vacinar por conta da exigência do passaporte ou que se viram, nos últimos dias, em uma situação difícil com parentes e amigos por conta da Covid-19. Foram pessoas influenciadas por fake news e ideologias das mais absurdas. Não faz o menor sentido a gente ainda ter cariocas que não se vacinaram. É inadmissível.

Soranz aponta que 43% dos internados no Rio nas últimas semanas não tomaram nenhuma dose da vacina e 93% deles não estavam com esquema vacinal completo.

— No hospital, todas elas se arrependem de não terem se vacinado. Os benefícios da imunização estão super evidentes.

Nesta quinta-feira, a prefeitura inaugurou um novo polo de testagem na Cidade Nova. Já nesta sexta-feira, outro será inaugurado em frente ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio. No domingo será inaugurado um em Guaratiba, Zona Oeste, ao lado do Centro Municipal de Saúde (CMS) Alvimar de Carvalho. E na semana que vem outros dois polos também devem ser abertos.

Soranz garante a capacidade de testagem do município:

— Estamos com uma capacidade de 6 mil testes por dia, querendo ampliar para 10 mil. Todas as unidades tem um arsenal de testagem muito grande, bem estruturado. Então não tem risco de faltar testes aqui no Rio. Queremos dobrar essa capacidade ao longo das duas próximas semanas.

O virologista Amílcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, não se surpreende com os números apresentados pela secretaria. Para ele, o afastamento de tantos profissionais é um efeito colateral para o sistema de saúde. Tanuri já havia alertado, em O GLOBO desta quinta-feira, que a Ômicron mata de forma indireta ao tirar da linha de frente profissionais da saúde expostos ao vírus.

— Já esperava um número assim, dessa grandeza. Isso cria um problema adicional para lidar com a pandemia e com outras doenças. É a mortalidade indireta, já que pode atrasar tratamentos e diagnósticos, pois muitos estão deixando de trabalhar. É preciso fazer um protocolo para retornar com esses profissionais o mais rápido possível. O desespero é tanto pelo mundo, que países tem deixado seus funcionários trabalharem com Covid, o que é algo bem complicado — argumenta o especialista.

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