Cerca de 5 milhões de pessoas em todo o mundo têm algum tipo de doença inflamatória intestinal

As doenças inflamatórias intestinais (DII) afetam mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). No Brasil, tem sido observado aumento do número de casos nos últimos anos. São consideradas DII a retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) e a doença de Crohn (DC). Ambas não têm cura e podem atingir qualquer faixa etária. Entre os exames que podem auxiliar o diagnóstico precoce está a dosagem de calprotectina fecal, proteína liberada pelas células do sistema imunológico no intestino quando há inflamação da mucosa do órgão.

O exame permite quantificar essa proteína nas fezes predizendo se há inflamação.

— A elevação da calprotectina é um marcador que indica possível inflamação intestinal, o que auxilia no diagnóstico e na monitorização da resposta ao tratamento das doenças inflamatórias intestinais de forma não invasiva — disse Fernanda Nunes, gastroenterologista do Hospital São Lucas Copacabana.

Segundo ela, a elevação da calprotectina fecal também contribui para distinguir as DII da síndrome do intestino irritável:

— Os diagnósticos podem se confundir, mas, obrigatoriamente, devem ser diferenciados, uma vez que a SII é uma doença muito prevalente e com repercussões mais benignas do que as DII. Os tratamentos da SII e das DII são completamente distintos e, dessa forma, a diferenciação entre ambas é fundamental e deve ser interpretada por um especialista..

Um levantamento realizado pela área de Dados e Analytics da Dasa, a maior rede de saúde integrada do Brasil, apontou que em aproximadamente 75 mil exames realizados desde 2020, uma média de 27% desses testes teve positividade para doenças inflamatórias intestinais. Em 2021, o exame de calprotectina fecal passou a fazer parte do rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e, a partir disso, o número de pedidos para sua realização subiu.

— A relevância do exame é que se trata de mais uma ferramenta não invasiva que colabora com o diagnóstico das DII para auxiliar na detecção precoce dessas doenças e, consequentemente, aumentar as chances de sucesso terapêutico de forma a evitar complicações — destacou a gastroenterologista.

O diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais pode ser complexo, uma vez que não é feito apenas por um único método e consiste na associação de dados clínicos, laboratoriais, endoscópicos com biópsia e radiológicos, que serão analisados pelo médico especialista.

A doença de Crohn pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal (da boca ao ânus). A inflamação pode ocasionar estenoses, que são estreitamentos do canal do intestino, e também fístulas, que são ligações entre o intestino e outro órgão ou outra região do intestino. Dores abdominais e diarreia são os principais sintomas.

A retocolite ulcerativa ocorre somente no intestino grosso (cólon). A inflamação é limitada à primei¬ra camada intestinal (mucosa). O cólon absorve água e, na vigência de inflamação, os sintomas mais comuns são diarreia e sangramento nas fezes.

Ambas são doenças crônicas cujas causas ainda não são totalmente conhecidas. Fatores genéticos e ambientais parecem estar envolvidos. O que se sabe é que são provocadas por uma desregulação no sistema imunológico que acaba gerando agressões ao trato gastrointestinal.

De acordo com Fernanda Nunes, em muitos casos, o paciente manifesta sintomas bem desconfortáveis e limitantes que afetam a qualidade de vida, como diarreia crônica que pode conter muco ou sangue, dor abdominal, distensão abdominal, urgência fecal, fraqueza, emagrecimento, ou feridas na região da pelve ou do ânus. Além disso, em alguns casos, pode haver manifestações extraintestinais associadas, como alterações oculares e dermatológicas e dores articulares.

O tratamento para as DII é baseado no uso de medicamentos que controlam a inflamação. Eles podem ser agentes com propriedade anti-inflamatórias, imunossupressores e imunobiológicos. O diagnóstico precoce associado ao tratamento correto permite, muitas vezes, evitar a evolução para complicações graves, além possibilitar que grande parte dos pacientes leve uma vida normal.

Quem tem diagnóstico de uma dessas condições ou sintomas suspeitos deve agendar uma avaliação com um especialista. O médico poderá identificar e também avaliar se o tratamento está sendo efetivo. Ele sempre tentará constatar sinais de atividade da doença antes mesmo de você ter algum tipo de sintoma, visando à preservação da qualidade de vida e da segurança.

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