Cerca de 90.000 pessoas relatam abusos sexuais sofridos nos escoteiros dos EUA

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Um homem fecha o portão do acampamento de escoteiros de Maple Dell, em Utah, 8 de maio de 2018
Um homem fecha o portão do acampamento de escoteiros de Maple Dell, em Utah, 8 de maio de 2018

Cerca de 90 mil pessoas entraram com denúncias de abusos sexuais sofridos por escoteiros dos Estados Unidos, até esta segunda-feira, prazo para se beneficiarem de um fundo de indenização criado pela organização juvenil.

"Foram apresentadas 88.000 denúncias", informou Michael Pfau, advogado de várias das vítimas.

Os números revelam a magnitude dos supostos abusos cometidos ao longo de décadas por membros da organização.

"Estamos chocados com o número de vidas que sofreram abusos no passado entre os escoteiros e estamos movidos pela coragem daqueles que saíram do silêncio", disse a organização dos Escoteiros da América (Boy Scouts) em um comunicado, sem confirmar os números.

"Abrimos voluntariamente um processo de fácil acesso para ajudar as vítimas a solicitarem a indenização. A resposta foi comovente. Lamentamos profundamente", acrescentou a organização, fundada em 1910 e que tem cerca de 2,2 milhões de membros entre cinco e 21 anos.

Atingida financeiramente por alegações de abuso sexual, a organização entrou com pedido de falência em fevereiro com o objetivo de impedir todos os processos movidos por ex-escoteiros no tribunal e encaminhá-los para um fundo de indenização.

A Boy Scouts, que estima seus ativos em mais de 1 bilhão de dólares, não informou quanto pretende gastar com o fundo.

Depois de anos de silêncio, as revelações sobre a organização norte-americana vieram à tona pela primeira vez em 2012, quando o Los Angeles Times publicou milhares de documentos internos demonstrando décadas de abuso sexual.

Esses documentos, que a imprensa chamou de "arquivos de perversão", formaram um banco de dados com os nomes de cerca de 5.000 voluntários adultos para serem líderes de escoteiros e suspeitos de cometer abusos sexuais contra as crianças de quem cuidavam.

A maioria deles nunca havia sido denunciada às autoridades e a organização se limitou a expulsá-los.

Desde então, as ações legais se multiplicaram contra a Boy Scouts, principalmente após a extensão em vários estados dos prazos para denunciar agressões cometidas por pedófilos.

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