Cercamento eletrônico de Niterói será ampliado para os acessos a São Gonçalo

Leonardo Sodré
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As câmeras instaladas em portais conseguem identificar veículos pela placa e chegarão a Fonseca, Barreto e Venda da Cruz.

NITERÓI - O sistema de cercamento eletrônico com câmeras inteligentes, que permite identificar placas de veículos e cruzar dados para que eles sejam rastreados pela polícia, será ampliado em 25% para os acessos a São Gonçalo. Até junho, a prefeitura pretende instalar mais 17 equipamentos em sete novos portais nas áreas limítrofes de Fonseca, Barreto e Venda da Cruz. Operando desde maio com 70 câmeras, a estrutura já contribuiu para recuperar 113 veículos.

A partir da próxima quarta-feira, o sistema também terá acesso ao banco de dados do Ministério da Justiça. Com isso, veículos com débitos tributários ou em busca e apreensão, por exemplo, passarão a ser identificados e poderão ser interceptados. As câmeras inteligentes já funcionam em portais instalados na Alameda São Boaventura, na Estrada Caetano Monteiro, na Rua Luiz Palmier (Barreto), na RJ-102 (Serrinha) e na Avenida Ewerton Xavier (Avenida Central), ao custo de R$ 1,6 milhão por ano para a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop), que ainda estuda quanto será necessário para a ampliação do sistema.

RECONHECIMENTO FACIAL

De acordo com o prefeito Rodrigo Neves, até o meio do ano o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), também terá 40 novas câmeras de identificação facial que serão instalados em áreas de grande circulação, como o Terminal João Goulart, a Rodoviária Roberto Silveira, as estações das Barcas, o Campo de São Bento, o Horto do Fonseca e o Skate Park de São Francisco, além de praias e pontos turísticos. Os equipamentos permitirão identificar foragidos da Justiça.

— A maior parte dos crimes em Niterói é praticada por pessoas que vêm de fora da cidade. Com mais sete pontos de cercamento de veículos, vamos fechar todas as entradas da cidade — diz Rodrigo.

Desde que o cercamento eletrônico começou a funcionar em Niterói, em maio, o número de roubos de veículos caiu. Os dados mais recentes divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam redução de 64% no comparativo de janeiro deste ano, quando ocorreram 57 casos, com o mesmo período de 2019, em que foram registrados 158 crimes do tipo.

Na noite da última terça-feira, o sistema ajudou a polícia a interceptar um veículo roubado e prender três homens no Fonseca. Os bandidos renderam os passageiros de um Ford Ranger, no Centro, e seguiram levando um dos ocupantes. O outro passageiro do carro avisou a uma guarnição que passava pelo local, e o Cisp foi acionado. O veículo foi identificado e passou a ser rastreado. Carros da polícia montaram um cerco na Rua Noronha Torrezão, no Cubango, mas os bandidos reagiram e conseguiram fugir. Um outro veículo estava dando cobertura aos assaltantes e também passou a ser rastreado pelo sistema. A partir das coordenadas do trajeto feito pelo grupo, a polícia fez um novo cerco na Rua Desembargador Lima Castro e conseguiu prendê-los quando tentavam fugir pela Alameda São Boaventura.

No último dia 20, dois homens suspeitos de envolvimento com roubo de carga foram presos no Centro com a ajuda do monitoramento. Eles estavam rodando pela cidade com um automóvel que teria participado do crime na semana anterior, e a placa constava no sistema. As câmeras identificaram o trajeto do veículo, e os guardas do Cisp acionaram os agentes do Niterói Presente e do 12º BPM, que montaram um cerco na Avenida Marquês do Paraná e prenderam os suspeitos. Um deles já tinha um mandado de prisão por roubo de carga.

Diretor executivo do Cisp, Nilson Cunha diz que o ponto de entrada e saída da cidade mais usado pelos bandidos é a Ponte Rio-Niterói.

— É o eixo de maior fluxo e, por isso, também o mais usado. Mas, como o sistema é inteligente, se um veículo que consta como irregular passar ali, (o monitoramento) vai acusar, e ele começará a ser monitorado — explica.

VIGILÂNCIA PRIVADA

Além do cercamento eletrônico de veículos, o Cisp tem hoje acesso às imagens de 522 câmeras que monitoram a cidade 24 horas. Até o fim do ano, a expectativa é que elas cheguem a dois mil, segundo Cunha. O centro de monitoramento negocia com administradoras e síndicos de 18 condomínios para ter acesso às imagens captadas por seus sistemas privados. Em outra frente, também está sendo testado um aplicativo que permitirá a moradores e funcionários destes residenciais fazerem transmissão de imagens ao vivo de seus celulares para o Cisp.

— Não serão todas as pessoas que poderão ter o aplicativo e transmitir as imagens. Vamos, junto com os condomínios, fazer um cadastro de usuários habilitados para isso. E haverá um treinamento, para que as transmissões só sejam feitas em segurança quando houver alguma ocorrência — revela Cunha.

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