Cerco a Lula e ameaças ao TSE indicam que esta será a mais tensa das eleições

Brazil's former President Luiz Inacio Lula da Silva, who will run in October's elections, speaks as he takes part an event organized by labor unions during Workers Day in Sao Paulo, Brazil May 1, 2022. REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O cerco montado por apoiadores bolsonaristas sobre o automóvel onde estava o ex-presidente Lula, em Campinas (SP), é só um dos muitos cabos de alta tensão soltos e espalhados por uma disputa eleitoral que mal começou.

Embora em número reduzido, os manifestantes fizeram barulho e conseguiram o que queriam: constranger o estafe petista e gerar conteúdo para as redes. Não será o único cerco (ou circo?) montado com cascas de banana à espera do tropeço, em forma de revide, de algum segurança ou militante disposto a responder a provocação da pior forma.

Ciro Gomes, pré-candidato do PDT, enfrentou provocações parecidas —mas, até onde se sabe, sem tentativa de agressão, se não verbal— ao visitar uma feira agrícola em Ribeirão Preto (SP), na semana passada.

A turma, como se vê, quer discutir o futuro do país interditando o debate –ou a possibilidade de um dos candidatos se dirigir até os locais de debate.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi um dos primeiros a compartilhar um vídeo com a passagem do petista debaixo de vaias. Em sua versão, Lula não pode dar um passo na rua sem ser vaiado –tese desmentida horas depois, diante da recepção de uma multidão para ouvir uma aula magna do ex-presidente na Unicamp.

O único confronto numérico que vale nesta peleja, porém, é o resultado das urnas.

Sabendo disso, Jair Bolsonaro, hoje em segundo lugar nas pesquisas, usou suas redes sociais, no mesmo dia, para anunciar que uma empresa será contratada por seu partido, o PL, para auditar o processo eleitoral.

Como se não fosse estranho um presidente da República contratar uma empresa privada para acessar as chaves de uma eleição que lhe interessa, ele ainda disse que o Tribunal Superior Eleitoral “pode ficar em uma situação complicada” se não aceitar a auditoria –uma provocação entre o deboche e a ameaça.

Pouco antes, seu ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, pediu ao TSE para divulgar os questionamentos das Forças Armadas sobre as eleições deste ano.

Que ninguém se iluda: o que a turma busca não são respostas ou esclarecimentos, mas a confusão, mais ou menos como os tresloucados dispostos a bloquear a passagem de um pré-candidato livre para se movimentar e discutir ideias, goste-se ou não delas.

A tensão é evidente e já não é possível falar mais em ensaio, e sim de golpe em curso. Ou é normal um presidente em busca da reeleição dizer que neste ano as Forças Armadas não serão apenas espectadoras? Serão o quê?

Nesse ritmo, a apreensão registrada na última campanha, quando um dos candidatos foi esfaqueado e outro, ainda na fase pré-eleitoral, teve um ônibus alvejado a tiros, pode ficar na lembrança como anteparo de uma disputa ainda mais violenta quatro anos depois. Adoraria estar enganado.

Nas imagens publicadas nas redes após o ato contra o petista, é possível ver um dos seguranças do pré-candidato portando uma arma. Outro causou tumulto ao retirar uma faixa de protesto contra a passagem do ex-presidente. Não há notícias de feridos. Mas, como sempre, o barril tomado por ódio segue onde está. Só precisa de uma fagulha para explodir.

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