Cerco se fecha para Donald Trump na justiça

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O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em 5 de dezembro de 2020, em Valdosta, Geórgia

Estão crescendo as chances de um indiciamento contra o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus sócios à frente da Organização Trump: a promotora do estado de Nova York confirmou na noite de terça-feira que, junto com o promotor de Manhattan, está investigando uma possível fraude relacionada a seus negócios.

Até agora, a promotora Letitia James, uma democrata eleita para o cargo, havia apenas confirmado uma investigação na esfera cível - sem risco de indiciamento ou prisão em caso de condenação - sobre possíveis fraudes fiscais ou bancárias na holding familiar do ex-presidente.

Os promotores suspeitam que Trump e sua organização, que não é de capital aberto e, portanto, não é obrigada a divulgar sua contabilidade, inflacionaram ou reduziram artificialmente o valor de algumas de suas propriedades para obter empréstimos bancários ou reduzir seus impostos. Uma área de 90 hectares no interior do estado de Nova York, seu clube de golfe em Nova Jersey e até sua icônica Trump Tower em Manhattan estariam sob o escrutínio dos investigadores.

"Informamos à Organização Trump que nossa investigação sobre a organização não é mais de natureza puramente civil", disse o promotor James na noite de terça-feira por meio de um porta-voz. "Agora estamos investigando ativamente a Organização Trump no âmbito penal, juntamente com o promotor público de Manhattan."

O promotor de Manhattan, Cyrus Vance, vem investigando a Organização Trump no âmbito criminal há meses, deixando no ar a ameaça de uma acusação sem precedentes para um ex-presidente dos Estados Unidos que, aos 74 anos, não descarta a possibilidade de concorrer novamente à eleição presidencial em 2024.

Vance, que deixará o cargo no fim de dezembro, obteve em fevereiro - após uma longa batalha judicial que culminou na Suprema Corte - oito anos de declarações de impostos e documentos contábeis de Trump, um golpe para o ex-magnata do setor imobiliário que sempre se recusou a tornar públicos seus impostos.

Para Bennett Gershman, professor de direito penal da Universidade Pace e ex-promotor adjunto de Manhattan, a declaração de James equivale a uma "demonstração de força" dos promotores.

"Isso significa que eles estão falando muito sério, que estão avançando agressivamente (...) que não vão recuar", disse à AFP. "Vendo um anúncio como este, eu diria que estamos nos aproximando de uma acusação."

As investigações "são a continuação da maior caça às bruxas política da história americana", declarou o ex-presidente Trump em um comunicado nesta quarta-feira.

"Trabalhando junto com Washington, esses democratas querem silenciar e cancelar milhões de eleitores porque não querem que Trump volte a ser candidato", acrescentou. "Não há nada mais corrupto que uma investigação em busca desesperada de um crime. Mas não se engane, é exatamente isso o que está acontecendo aqui."

- Cooperação de testemunhas-chave -

Para Gershman e outros observadores, o anúncio da promotora James também pode ser uma forma de buscar aumentar a pressão sobre as principais testemunhas que conhecem os negócios de Trump por dentro, a quem os promotores querem convencer a cooperar.

A principal talvez seja Allen Weisselberg, de 73 anos, diretor financeiro da Organização Trump, o mais fiel dos fiéis de Trump, que inclusive já trabalhou para o pai do ex-presidente.

Nas últimas semanas, os investigadores mostraram que não hesitariam em investigar os negócios de seu filho, Barry Weisselberg, para obter a cooperação do pai.

A ex-mulher de Barry Weisselberg também foi fotografada no início de abril pela mídia local carregando caixas de documentos financeiros destinados a investigadores, que exigiram sua entrega.

A defesa de Trump se prepara para a batalha. Seus advogados são conhecidos por lutar até o fim, como fizeram para resistir à liberação dos arquivos contábeis durante 16 meses.

Recentemente, seu principal advogado neste dossiê, Alan Futerfas, fortaleceu sua equipe, confirmando em abril o ingresso de Ronald Fischetti, que trabalhou por vários anos com Mark Pomerantz, hoje chefe da equipe de investigação responsável pelo caso Trump no gabinete do promotor de Manhattan.

Ao ser procurado pela AFP para comentar a declaração da promotora James, Futerfas não respondeu imediatamente.

Uma coisa é certa: alguns esfregam as mãos enquanto os promotores avançam. Começando pelo ex-advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, condenado em 2018 a uma pena de três anos por fraude fiscal e violação da lei de financiamento eleitoral, que está colaborando com os investigadores no caso contra seu ex-chefe.

"Bem-vindos à #FestadaAcusaçãodeTrump!", escreveu ele no Twitter nesta quarta.

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