Cereais voltam a ser arma de guerra para a Rússia

Numa altura em que a Ucrânia acusa a Rússia de voltar a lançar o espetro da fome sobre o mundo, Kiev faz o balanço militar doutra ameaça também premente. No caso, a que vem do ar, através dos drones bomba.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, veio declarar que, na última semana, "houve mais de 40 ataques com drones de fabrico iraniano", "seis ataques de helicópteros", mas também que vários aviões russos foram abatidos, o que, realça, significa "centenas de vidas ucranianas salvas" e "dezenas de infraestruturas preservadas".

Depois de Moscovo anunciar a retirada do acordo sobre a exportação de cereais que a ONU ajudou a implementar, a movimentação de cargueiros no Mar Negro, este domingo, encontra-se bloqueada.

O Kremlin justifica-se com o alegado ataque de drones a navios russos, o que Kiev aponta como um "falso pretexto". Mas, uma vez mais, se espalham receios sobre as consequências desta nova imobilização de cereais sobre o circuito mundial de abastecimento, sobretudo nos países africanos. Joe Biden declarou que a decisão é "escandalosa".

No terreno, registam-se combates de artilharia na localidade de Kobzartsi, perto de Kherson, a cidade que os russos estão a evacuar e cuja população os ucranianos dizem estar a ser deportada.

Na área de Zaporíjia, relatam-se bombardeamentos russos sobre estruturas industriais, com a população a voltar a alertar para os riscos de uma explosão nuclear nesta zona.