Livro revela que papa gosta de refeições simples, saudáveis e que cozinha bem

Paco Niebla.

Barcelona (Espanha), 29 mar (EFE).- Diplomado em química dos alimentos, o papa Francisco cozinha bem, gosta de refeições simples e saudáveis, e, como bom argentino, toma mate, alegando que é mais digestivo que chá ou café.

A rotina alimentar também inclui lanches no refeitório dos funcionários do Vaticano, porque para ele esse momento é de compartilhar, revela Roberto Alborghetti, um dos biógrafos do pontífice, que acaba de lançar "En la mesa con Francisco" (Ed. Larousse), ainda sem versão em português.

O livro aborda 36 receitas culinárias que acompanharam Francisco em sua vida, mostrando os episódios nos quais o papa utilizou alimentos para transmitir valores, expressar preocupação com as crises de fome ou exigir uma distribuição justa dos recursos alimentícios.

Alborghetti lembra na obra que Jorge Mario Bergoglio - nome de batismo de Francisco - provém de uma modesta família italo-argentina "de fartas mesas dominicais" e que defende que "compartilhar a refeição é um momento para o próximo".

"É fonte de relação. É hospitalidade. E é escutar os que te cercam. Comer juntos é uma ação muito evocadora e simbólica", destaca o autor.

O livro ressalta também os vários apelos do papa contra o desperdício de alimentos, porque "com comida não se brinca", e porque, "quando criança, em casa, quando o pão caía no chão, nos ensinavam a pegá-lo e beijá-lo, nunca se jogava pão".

"Como os biscoitos da vovó" foi o título de uma homilia de Francisco em uma missa, na qual revelou que, quando era criança, sua avó lhe preparava biscoitos "com uma massa muito leve", que colocava no óleo para aquecer quando estava inchada, mas depois "inflava, inflava, e quando a comíamos, estava oca ".

Segundo Francisco, sua avó lhe contava que esses biscoitos "são como as mentiras: parecem grandes, mas não têm nada dentro, não há nada verdadeiro".

O livro, recheado de fotos de familiares do papa, relata que os antepassados de Bergoglio foram donos do restaurante Nocciola em Montechiaro (Itália), onde os padeiros locais ainda elaboram um excelente bolo de avelãs com uma massa sem farinha.

Foram os avôs piamonteses do papa, Giovanni e Rosa, que lhe transmitiram o "saber gastronômico" ao falarem sobre o pão caseiro, o bolo de avelã, o agnolotti (massa recheada parecida com o ravioli), o tagliolini, a polenta, as castanhas secas, as maçãs ou os queijos.

Segundo Alborghetti, os avós ensinaram a Francisco a preparar a 'bagna càuda' - prato emblemático do Piemonte - e o delicioso 'bunet', doce típico que deve ser degustado com um 'dolcetto', o vinho das uvas cultivadas em áreas frias e altas.

O biógrafo conta que a irmã de Francisco, Maria Elena, dizia que a família do hoje papa era pobre, e que a mãe deles inventava pratos de espaguete e almôndegas com sobras. Além disso, o livro narra um episódio em que, durante uma de suas visitas à cozinha da Residência Santa Marta, onde vive, pediu às cozinheiras: "Por favor, não joguem fora a água da cocção da chicória. Eu a tomo com gosto. É boa e faz bem".

A irmã do papa também revela que o pontífice "cozinha muito bem, que suas lulas recheadas são saborosíssimas e que ele é fascinado por risoto " (o livro inclui as receitas completas dos pratos que menciona no texto, com fotos).

Ainda de acordo com a obra, como bom argentino, Francisco sabe fazer churrasco como poucos, tendo aprendido com sua avó a escolher o corte adequado da carne, e que o marina muito bem com ervas aromáticas e os demais ingredientes do chimichurri. EFE