Cesar Maia diz que, para derrotar Bolsonaro, superou rixa com Lula

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Confirmado vice na chapa de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio, Cesar Maia (PSDB) se diz empolgado para o desafio, aos 77 anos. A aliança, considerada inusitada dado o fato de os dois terem caminhado em campos políticos díspares no últimos anos, é motivada por aquilo que a família Maia entende como uma “necessidade de se colocar no quadro nacional atual”, polarizado entre o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro, segundo o próprio Cesar.

Para se opor aos ataques às instituições e ao sistema eleitoral vindos do bolsonarismo, o tucano diz “não ver problemas” em dividir palanque no Rio com Lula, com quem acumulou brigas quando era prefeito e o petista ocupava a Presidência. Hoje, Lula é o principal apoiador da chapa da qual faz parte.

Ao GLOBO, Cesar diz acreditar que a disputa estadual já está desenhada no primeiro turno pela polarização entre Freixo e o candidato bolsonarista, o governador Cláudio Castro (PL), que busca a reeleição. Por crer que passará ao segundo turno ao lado de Freixo, ele diz que conta à frente com o apoio do prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PSD), que aposta na chapa formada por Rodrigo Neves (PDT) e por seu afilhado político Felipe Santa Cruz.

—Tanto a eleição nacional, quanto a estadual, serão resolvidas em dois turnos. Os primeiros turnos, nos dois casos, já estão desenhados. Uma eleição em duas etapas produz convergências — afirma ele, sobre a vontade de ainda contar com o apoio de Paes contra o bolsonarismo representado por Castro.

“Pouco inteligente”

Convidado por Santa Cruz e Neves para ser vice na aliança que conta com o apoio do atual prefeito, Cesar migrou para o lado de Freixo. A interlocução foi feita por seu filho, o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB). A decisão simbolizou mais uma ruptura da família Maia com Paes, que foi lançado na política pelo próprio Cesar, nos anos 1990, e com o qual vive um histórico de idas e vindas.

Desde então, a campanha de Neves e o prefeito passaram a mirar críticas em Freixo, a quem definem como “aquele que dará a vitória a Castro”. O tucano diz já ter avisado a Paes que a estratégia é “pouco inteligente".

— Tive oportunidade de dizer a ele, em uma ocasião, que isso era um erro e que só reforçaria seu adversário. Ele ficou de rever. Neves também não poupou críticas a Freixo em entrevistas. Já disse que pode se voltar contra ele — diz.

Quando questionado sobre o porquê de apostar em Freixo, o tucano é lacônico.

— A diferença qualitativa é óbvia — se limita a dizer.

Se a confirmação como vice de Freixo — e a consequente campanha por Lula — soa inusitada pelo histórico de brigas com o petista nas últimas décadas, Cesar afirma que a aposta é na “questão democrática”.

— A democracia acaba posta em risco pelos ataques a instituições como o Supremo Tribunal Federal, que deixam a conjuntura nacional instável. A eleição de Lula reconstrói este quadro — diz ele, que garante não ver problemas em dividir espaço no palanque com o adversário histórico.

O histórico de desavenças com Lula remonta aos anos 2000, quando o governo do então presidente promoveu a intervenção federal no sistema municipal de Saúde do Rio. Cesar tentou barrar o movimento na Justiça, acusou uma motivação política e comparou o petista ao venezuelano Hugo Chávez, pela “vocação autoritária”. Seu partido, o PFL ainda antes de se rebatizar DEM, afirmou se tratar de uma tentativa de Lula de abater na raiz uma possível candidatura de Cesar à Presidência no ano seguinte.

Hoje, porém, Cesar diz ter deixado as mágoas para trás e nega que a empreitada ao lado de Freixo seria uma espécie de “ato final” da sua vida política.

— Pela minha disposição hoje, virão muitas candidaturas.

Derrotado ao Senado em 2014 e 2018, o hoje vereador confessa ainda não saber qual será o seu papel na campanha de Freixo, mas garante que pretende levar a sua experiência de gestor para convencer eleitores de centro, em regiões consideradas “calcanhares de Aquiles” do pessebista, como o interior do estado.

—Essa parceria não é inusitada, dado o meu histórico que tem raízes na esquerda. Assumirei o papel que Freixo achar mais interessante nesta campanha, sempre com o objetivo de ampliar, quero colaborar com a experiência de quem já foi prefeito por três vezes — afirma.

Questionado sobre a capilaridade da campanha de Castro, que conta com 13 partidos ocupando cargos no primeiro escalão do governo e com apoios de 85 prefeitos, Cesar lembra o passado e garante que sairá vitorioso.

— Fui secretário de Fazenda do Brizola e participei intensamente da campanha. O governo de Castro é uma versão do chaguismo, que pelas mesmas razões nos levará à vitória — conclui, referindo-se ao ex-governador Chagas Freitas, que virou sinônimo de clientelismo.

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