Cesar Silvestri, do PSDB, lamenta desistência de Doria e vê Lula pior que Bolsonaro

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Pré-candidato a governador do Paraná, Cesar Silvestri Filho (PSDB), lamentou a desistência do tucano João Doria na corrida presidencial deste ano. O candidato defendeu a necessidade de um nome da terceira via nesta segunda-feira (30) durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL.

Questionado sobre seu posicionamento em um possível segundo turno entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), Silvestri afirmou que o petista é uma alternativa mais danosa para o Brasil e que consideraria sua eleição como um retrocesso para o país.

"Uma coisa eu garanto, no palanque do Lula eu jamais estarei. Eu não tenho nenhuma afinidade, eu não tenho nenhum tipo de tranquilidade para apoiar um governo do Lula", afirmou o candidato do PSDB.

O pré-candidato do PSDB afirmou lamentar a desistência de João Doria na corrida presidencial. Segundo ele, o tucano se mostrou preparado para ocupar o cargo. Ele elogiou a atuação do ex-governador no enfrentamento da pandemia da Covid e disse que ele não passou por escândalos de corrupção.

"Eu vejo que o ex-governador Doria possuía todos os predicados para ser um grande presidente da República. Ele se mostrou um homem trabalhador, ele se mostrou eficiente, basta ver o quanto ele contribuiu com o enfrentamento da pandemia", disse Silvestri.

Segundo ele, Doria foi prejudicado pelas divisões internas do partido, que foram intensificadas pelas prévias. Ele diz ser importante que o PSDB se organize para viabilizar um nome da terceira via nas eleições deste ano.

Silvestri disse acreditar que muita coisa pode mudar durante a campanha eleitoral e fez elogios à pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB).

"Estão indicando o nome da Simone Tebet, que é um nome bom para o processo. Ela é uma mulher experiente, já passou pelo Executivo com grande competência, tem feito um bom mandato como senadora e representa as mulheres de uma forma muito digna. Eu tenho a convicção de que ela é uma candidata competitiva."

Apesar disso, Silvestri disse não ter certeza se haverá uma convergência de interesses com o MDB paranaense. Segundo ele, o partido aceitou cargos importantes no atual governo estadual. Além disso, a legenda tem usado sua estrutura e tempo de televisão para promover os discursos de Bolsonaro no Paraná.

Silvestri é ex-filiado ao Podemos e estava no partido quando o ex-juiz tentou construir sua candidatura à Presidência. Segundo ele, a legenda preferiu priorizar a formação de bancada para o Legislativo e deixou de acreditar e investir na campanha de Moro, que acabou migrando para a União Brasil.

O candidato do PSDB afirma que deixou o Podemos por defender uma candidatura própria no estado, enquanto outras lideranças achavam melhor buscar uma apropriação com o atual governo, para viabilizar a reeleição do senador Alvaro Dias.

Silvestri também falou sobre a atuação de Sergio Moro na política nacional. Segundo ele, Moro foi um bom juiz, mas não soube fazer boas articulações no campo político.

"Eu tenho uma visão do Moro positiva no papel dele como juiz e desastrosa no papel dele como político. E pior ainda quando ele misturou as duas coisas na função de juiz. Em um primeiro momento, quando ele começou a conduzir a Operação Lava Jato em uma tentativa de desarmar uma corrupção sistêmica, que existia no governo petista, ele fez um bem imenso para o país", disse o candidato do PSDB.

"Ocorre que a Lava Jato acabou se politizando demasiadamente, e passou a ter uma postura de ativismo judicial e político, querendo imaginar que eles promoveriam no Brasil uma limpa política, sobrepondo o papel do eleitor e o papel da própria democracia", afirmou Silvestri.

Segundo ele, um dos grandes erros do ex-juiz foi aceitar o cargo de ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Ele também disse que Moro cometeu uma série de erros políticos ao tentar viabilizar a sua candidatura à Presidência, tanto no Podemos quanto na mudança para a União Brasil.

Em relação a um possível golpe organizado por Bolsonaro em caso de derrota nas urnas, o candidato disse não acreditar nessa possibilidade. Segundo ele, apesar do tensionamento promovido pelo presidente entre os Poderes e instituições, não há apoio institucional das Forças Armadas para isso.

De acordo com Silvestri, os ataques fazem parte de uma narrativa eleitoral para evitar o debate de outras questões importantes para a população, que poderiam prejudicar a imagem do governo.

"Isso faz parte de uma narrativa eleitoral do presidente Bolsonaro, de criar uma cortina de fumaça sobre alguns temas que são essenciais para o país, como a discussão sobre a questão da pobreza, o aumento da inflação e os juros altos que estão emperrando os nossos investimentos. Em vez de debater esses temas que são centrais, acaba criando um debate nacional em cima dessas outras discussões", disse ele.

Silvestri também fez críticas à gestão do atual governador, Ratinho Jr. (PSD). Segundo ele, o rival tratou o funcionalismo público estadual como adversário político durante o mandato. O candidato disse concordar com as demandas apresentadas pelos servidores.

Ele também criticou a proposta de reposição da inflação feita pelo atual governo. De acordo com ele, o valor proposto foi de 3%, enquanto a defasagem acumulada devido à inflação é de mais de 30%.

"É mais do que evidente a revolta dos servidores públicos do Paraná. Hoje ele [Ratinho Jr.] enfrenta uma situação de perda de governabilidade. Eu não consigo enxergar como preservar isso por mais quatro anos, houve um rompimento da relação de confiança", afirmou o pré-candidato do PSDB.

Cesar Silvestri foi o primeiro pré-candidato ao governo do estado a participar da sabatina da Folha e do UOL. Na quinta-feira (2), às 10h, o entrevistado será o atual governador, Ratinho Jr. (PSD). Na sexta (3), às 10h, o ex-governador Roberto Requião (PT) participa da sabatina. Também na sexta, em horário ainda a definir, será a vez do deputado federal Filipe Barros (PL).

As sabatinas são apresentadas pelo colunista do UOL Kennedy Alencar e tem participação dos jornalistas Alberto Bombig, do UOL, e Ana Luiza Albuquerque, da Folha de S.Paulo.

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CONFIRA AS DATAS DAS SABATINAS E DOS DEBATES

Demais sabatinas com pré-candidatos ao Governo do PR

Ratinho Jr. (PSD) - 02/6 - 10h

Roberto Requião (PT) - 03/6 - 10h

Filipe Barros (PL) - 03/6 - horário a definir

Sabatinas presidenciais​

2º turno - de 10 a 14/10

Debates presidenciais

2º turno - 13/10, às 10h

Debate com candidatos à Vice-Presidência

1º turno - 29/9, às 10h

Debate com candidatos ao Senado

1º turno - 27/9, às 10h

Sabatinas com pré-candidatos ao Governo de SP​

2º turno - de 17 a 21/10

​Demais sabatinas

Semana de 06/6 - PE

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Debates com candidatos ao Governo de SP

1º turno - 19/9, às 10h

2º turno - 20/10, às 10h ​

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