Ceticismo no Líbano após formação de novo governo

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O novo primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, em 10 de setembro de 2021 (AFP/-)

Ceticismo e críticas prevaleciam, neste sábado (11), no Líbano, após a formação de um novo governo que terá a difícil tarefa de reerguer um país atolado em uma crise econômica e social sem precedentes.

Após 13 meses de espera, o país anunciou na sexta-feira (10) a formação de um novo governo liderado por Najib Mikati, um dos homens mais ricos do país, que já foi primeiro-ministro duas vezes.

A nova equipe de 24 ministros, cuja formação era condição para a obtenção de ajuda internacional, surgiu após longas negociações entre os partidos no poder, amplamente desacreditados pela população.

A manchete de hoje do jornal Al-Akhbar, próximo ao partido xiita Hezbollah, era: "O governo da confiança (quase) impossível".

Os receios expressos nos meios de comunicação, nas redes sociais e por alguns especialistas referem-se, em particular, à capacidade do novo governo de recuperar uma economia colapsada e ao seu espaço de manobra em termos de reformas.

Muitos se perguntam que mudanças essa equipe, eleita pelos "barões" dos vários grupos que dirigem o país há décadas e cujas políticas clientelistas e supostamente corruptas causaram o colapso econômico, poderá trazer.

- Os mesmos "cozinheiros" -

"O governo (...) do nitrato, da esterilidade política e da corrupção", resumiu um usuário do Facebook, referindo-se à grande explosão em agosto de 2020 no porto de Beirute, causada pelo armazenamento de grandes quantidades de nitrato de amônio sem medidas preventivas.

Essa explosão - que matou mais de 200 pessoas, feriu milhares e devastou bairros inteiros da capital - é considerada consequência do descaso da classe dominante.

Poucos dias depois, o governo liderado por Hassan Diab renunciou diante do clamor geral.

"São os mesmos cozinheiros que formaram o governo. São capazes de fornecer uma nova comida? O verdadeiro temor é que não possam produzir nada novo", estima o pesquisador Sami Nader.

Até porque, como o jornal L'Orient-Le Jour aponta em sua capa, a tarefa do governo é "hercúlea".

A crise econômica sem precedentes que o país atravessa desde 2019 não para de se agravar. O Banco Mundial a classifica como uma das piores do mundo desde 1850.

Com uma inflação galopante e demissões em massa, 78% da população libanesa agora vive abaixo da linha da pobreza, de acordo com a ONU.

Além disso, o país está às escuras há vários meses, com apagões de até 22 horas por dia, bem como uma queda livre da moeda local, restrições bancárias sem precedentes, eliminação progressiva de subsídios e escassez de combustível e medicamentos.

- "Medidas urgentes" -

Embora a chegada ao governo de algumas personalidades, como Firas Abiad, diretor do hospital público Rafic Hariri e responsável pela luta contra a covid-19, ao ministério da Saúde, tenha sido bem recebida por alguns, as dúvidas persistem.

"Quando um país está entre os três primeiros em termos de gravidade da crise econômica da história contemporânea do mundo, não nomeia um ministro do Turismo, nem um ministro da Juventude e Esportes (...) mas sim doze especialistas econômicos e financeiros independentes para trabalhar 24 horas por dia na crise", estimou a ativista e especialista em políticas públicas Sara el-Yafi nas redes sociais.

Entre os desafios mais urgentes está a conclusão de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), cujas negociações estão suspensas desde julho de 2020.

Para a comunidade internacional, este é um passo essencial para desbloquear mais ajuda.

Vários países expressaram na sexta-feira a necessidade de ação imediata e Washington pediu "medidas urgentes (...) para atender às necessidades urgentes e aspirações legítimas do povo libanês".

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